Poucas empresas foram do céu ao inferno tão rápido quanto a Netflix. Essa semana, mais uma humilhação para uma lista que cresce rapidamente. Os próprios acionistas da empresa estão processando a Netflix.
Os investidores acusam a Netflix de ter enganado o mercado no que diz respeito à capacidade de aumentar o número de assinantes da plataforma no primeiro trimestre de 2022. A empresa anunciou em abril que pela primeira vez perdeu assinantes, o que acelerou a queda das ações da companhia que já perdeu mais de 70% de seu valor de mercado. Em novembro a Netflix valia US$ 306 bilhões, semana passada, pouco mais de US$ 80 bilhões.
Essa derrocada do valor de mercado também deixou os funcionários da Netflix irados, já que boa parte deles tem a remuneração atrelada ao valor das ações. Também estão previstos cortes de custos e demissões na empresa, inclusive afetando as produções de séries e filmes da plataforma.
Nos Estados Unidos, produtores de conteúdo já reclamam de pressão da Netflix para reduzir custos e de como a empresa ao longo dos anos aumentou seu controle nas produções, contrariando os colaboradores, mesmo tendo resultados artísticos cada vez piores.
Já os concorrentes não escondem a alegria de ver a Netflix em crise. A empresa era vista como arrogante pelo mercado e uma de suas práticas mais comuns era roubar executivos a peso de ouro dos concorrentes.
Todos odeiam a Netflix
Investidores, funcionários, produtores de conteúdo e concorrentes. Todos odeiam a Netflix. Mas a plataforma ainda é amada por muitos de seus usuários. Mas talvez não por muito tempo, a julgar pelas mudanças planejadas.
Entre as novidades da Netflix para combater a queda de assinantes: a adoção de publicidade na plataforma, temporadas mais curtas das séries e implementar um polêmico combate ao compartilhamento de senhas. O último tópico, barrar o compartilhamento de senha, sem dúvida é um dos maiores riscos já enfrentados pela empresa.
A Netflix terminou o primeiro trimestre deste ano com 222 milhões de assinantes. Mas segundo a empresa, mais de 100 milhões de lares usam senhas compartilhadas e assistem às atrações da Netflix sem pagar.
A plataforma nunca se preocupou muito com isso, mas mudou de posição quando começou a ficar cada vez mais difícil adicionar novos assinantes, à medida que a pandemia diminuía e as pessoas voltavam a sair de casa.
Assinantes da Netflix revoltados
Em março do ano passado a Netflix começou um teste na França. Na época, os usuários passaram a receber avisos quando usavam contas de terceiros alertando para a necessidade de ter sua própria assinatura. “Se você não mora com o proprietário desta conta, precisa de sua própria conta para continuar assistindo”, dizia a mensagem. Para acessar o serviço, era necessário verificar a conta com um e-mail ou código de texto, ou criar uma nova conta com um teste gratuito de 30 dias.
A Netflix não deu detalhes, mas após muitas reclamações a empresa mudou a estratégia. Dias atrás anunciou que começaria um novo teste no Chile, Costa Rica e Peru.
“Se você tem uma irmã, digamos, que está morando em uma cidade diferente, você quer compartilhar a Netflix com ela, isso é ótimo”, disse Greg Peters, diretor de operações da Netflix, durante a teleconferência de resultados da empresa em abril. “Não estamos tentando encerrar esse compartilhamento, mas vamos pedir que você pague um pouco mais para poder compartilhar com ela e para que ela obtenha o benefício e o valor do serviço, mas também recebemos a receita associada a essa visualização.”
Os números variam, sendo R$ 11 adicionais no Peru e R$ 15 no Chile e Costa Rica.
O resultado da novidade foi uma revolta de usuários no Chile, Costa Rica e Peru. A hashtag #ChaoNetflix (#TchauNetflix) tornou-se a principal trend da região no Twitter após o anúncio, com centenas de pessoas tuitando imagens de suas telas com cancelamento de assinatura da Netflix. Os temas recorrentes dos comentários foram “cobranças injustas”, “preços aumentando” e “porque vocês são #@$% ladrões”.
Por outro lado, os concorrentes aproveitaram para provocar a Netflix. A HBO Max, Amazon Prime e Apple TV+ foram às redes sociais para destacar que não limitavam o compartilhamento de senha. A campanha mais popular foi da Apple TV+, que enviou um e-mail promocional dizendo que os chilenos poderiam ser tão promíscuos quanto quisessem com suas senhas no streaming da Apple.







