ARACAJU/SE, 22 de maio de 2026 , 12:15:28

Organização Mundial da Saúde alerta para crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes

 

Os cigarros eletrônicos deixaram de ocupar apenas o papel de alternativa ao cigarro tradicional e passaram a integrar hábitos de consumo impulsionados, principalmente, pelas redes sociais. Com visual moderno, diferentes sabores e ampla divulgação em conteúdos digitais, os chamados vapes conquistaram espaço entre adolescentes e jovens, acendendo o alerta de autoridades de saúde em diversos países.Informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde apontam que aproximadamente 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos fazem uso de cigarros eletrônicos no mundo.

O dado reforça a preocupação em torno da exposição precoce à nicotina e a outras substâncias químicas em uma fase decisiva para o desenvolvimento físico e neurológico. Segundo o médico pneumologista Ivan Mendes, a facilidade de acesso, a popularização nas redes sociais e a falsa sensação de menor perigo ajudaram a ampliar esse cenário. “Do ponto de vista de saúde pública, preocupa principalmente a exposição precoce à nicotina e a outras substâncias inaladas em uma fase importante do desenvolvimento físico e neurológico”, destaca.

Público mais vulnerável

A influência das redes sociais e do ambiente digital aparece como um dos fatores centrais para explicar o aumento da adesão de adolescentes aos dispositivos eletrônicos para fumar. Conforme explica Ivan Mendes, elementos como sabores doces, aparência tecnológica e ausência do cheiro forte típico do cigarro convencional tornam o vape mais atrativo para esse público. “Muitos jovens não associam o vape aos mesmos riscos do cigarro convencional. Além disso, existe uma relação crescente entre o uso desses dispositivos e a cultura de exibição nas redes sociais, onde o cigarro eletrônico costuma ser apresentado como símbolo de modernidade, pertencimento e aceitação social. Isso acaba influenciando adolescentes que ainda estão em processo de formação emocional e social”, afirma.

Entre os danos à saúde mais preocupantes, o pneumologista ressalta impactos no desenvolvimento cerebral, principalmente em áreas ligadas à memória, atenção e controle de impulsos. Também existem consequências respiratórias, como irritação das vias aéreas, tosse, chiado no peito e diminuição da capacidade pulmonar. “Os líquidos utilizados nos dispositivos podem conter substâncias irritativas, metais pesados e compostos potencialmente tóxicos. Apesar de os cigarros eletrônicos serem produtos relativamente recentes, pesquisas já identificam associação entre o uso contínuo e alterações pulmonares, cardiovasculares e neurológicas”, enfatiza.

Ivan Mendes também destaca o alto potencial de dependência relacionado à nicotina presente nos aparelhos. “Em alguns dispositivos, a concentração de nicotina é muito elevada, favorecendo o consumo frequente e o desenvolvimento da dependência, principalmente entre adolescentes. O vape costuma ser utilizado de forma contínua ao longo do dia, muitas vezes sem que o usuário perceba a quantidade consumida. Além disso, o uso do cigarro eletrônico pode aumentar a probabilidade de contato posterior com o cigarro convencional”, alerta.

Prevenção e conscientização

Embora muitos adolescentes considerem o vape menos prejudicial, o especialista reforça que isso não significa ausência de riscos. “A ideia de produto inofensivo não corresponde ao que a literatura científica vem mostrando”, pontua. Para pais e educadores, Ivan Mendes recomenda atenção a sinais como mudanças de comportamento, cheiro adocicado em roupas e mochilas, irritabilidade e presença de dispositivos eletrônicos desconhecidos. “A prevenção depende principalmente de diálogo e informação. Conversas abertas, sem abordagem agressiva, costumam ser mais eficazes. A escola também tem papel importante na orientação sobre riscos e no estímulo ao pensamento crítico em relação às informações divulgadas nas redes sociais”, acrescenta.

Já para adolescentes e jovens que utilizam cigarros eletrônicos, a orientação é interromper o consumo o mais cedo possível e procurar acompanhamento médico. “Muitos adolescentes acreditam que conseguem parar facilmente, mas a dependência da nicotina pode dificultar esse processo. É importante procurar avaliação médica, especialmente com um pneumologista, para identificar possíveis sintomas respiratórios, orientar sobre os riscos e auxiliar no processo de interrupção do uso. Conversar com familiares e pessoas de confiança também pode ajudar. Quanto mais cedo ocorre a interrupção, menor tende a ser a exposição aos riscos relacionados ao uso contínuo”, finaliza.

Fonte: Asscom Unit

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