ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:05:02

PF deflagra operação que investiga espionagem ilegal na Abin contra ministros do STF, políticos e jornalistas

 

Os membros do esquema ilegal de espionagem com a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) rastrearam autoridades públicas, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). As informações constam no relatório da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o caso.

Além deles, a corporação diz que as seguintes personalidades políticas foram espionadas: Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara; Kim Kataguiri, deputado federal; Joice Hasselmann, ex-deputada federal; Alessandro Vieira, senador; Omar Aziz, senador; Renan Calheiros, senador; Randolfe Rodrigues, senador; João Doria, ex-governador de São Paulo.

A PF também identificou que servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram monitorados pelo esquema, bem como jornalistas. Segundo a corporação, Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista foram espionados.

Sobre a espionagem a ministros do STF, a PF disse que “as ações direcionadas aos ministros da Suprema Corte em razão do exercício de suas funções, além de atos de embaraçamento de investigações, também perfazem atos que atentam contra o livre exercício do Poder Judiciário”.

Com relação a Moraes, os membros do grupo montaram um dossiê para relacionar o ministro do STF com um delegado de Polícia Civil investigado por corrupção. A PF diz que os integrantes do esquema usaram moeda estrangeira (dólar ou euro) para pagar por um sistema ilegítimo para monitorar Moraes.

Operação

Nesta quinta-feira (11), a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva contra pessoas que teriam participado do esquema de espionagem ilegal.

A corporação também cumpriu sete mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal. Os mandados foram expedidos pelo STF.

A ação policial ocorre nas cidades de Brasília (DF), Curitiba (PR), Juiz de Fora (MG), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

A PF diz que os alvos dos mandados faziam parte de uma organização criminosa voltada ao monitoramento ilegal de autoridades públicas. O grupo também usava os sistemas da Abin para produzir notícias falsas, segundo a PF.

Entre os alvos dos mandados de prisão, está o militar Giancarlo Gomes Rodrigues, que trabalhava como assessor do ex-diretor da agência Alexandre Ramagem, hoje deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro. Em janeiro deste ano, durante outra fase da operação, os agentes federais já tinham encontrado um computador da Abin e celulares na casa de Rodrigues.

Além de Rodrigues, foram alvos dos mandados de prisão o agente da PF Marcelo Araújo Bormevet, o ex-assessor do Ministério das Comunicações Mateus Sposito, Richards Dyer Pozzer e Rogério Beraldo de Almeida.

Investigados discutiram dar ‘tiro na cabeça’ de Moraes, diz PF

Em relatório enviado ao STF sobre o suposto esquema de espionagem com a estrutura da Abin, a PF mostra uma conversa de dois investigados na operação discutindo ações consideradas violentas contra o ministro Alexandre de Moraes, como um “tiro na cabeça” dele.

O diálogo foi entre Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues, que faziam parte do esquema de espionagem ilegal com o sistema da Abin e foram presos em operação da PF nesta quinta-feira (11).

A conversa gira em torno de uma decisão de Moraes que afastou o delegado que investigava um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Houve até mesmo um pedido de impeachment.

“Tá ficando f*** isso. Esse careca tá merecendo algo a mais”, disse um. Outro investigado cita “7.62″, referindo-se a calibre de munição de arma. Um outra pessoa afirma “head shot”, que em português significa “tiro na cabeça”.

No documento, a PF cita, ainda, que informações falsas diretamente vinculadas ao ministro da corte e seus familiares era intencionalmente difundida em um grupo intitulado como “grupo dos malucos”.

Fonte: R7

 

Você pode querer ler também