ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:33:51

Psiquiatra alerta para o aumento da depressão resistente

Falar de depressão resistente e ideação suicida, mesmo antes do setembro amarelo é uma urgência.  O psiquiatra Alexandre Agacir, diretor técnico da Equilíbrio Clínica Dia, Urgência Mental e Assistência Integrada 24h, que fica em Aracaju, alerta para o aumento da chegada de pacientes com esse quadro, com muita preocupação. Atualmente a tentativa de suicídio e as emergências psiquiátricas representam 20% de todos os atendimentos de emergência em pronto-socorro. Mais de 90% das tentativas de suicídio estão relacionadas com algum transtorno mental não tratado (depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, uso de substâncias).

O psiquiatra Alexandre Agacir explica como agir rápido nestes casos para salvar vidas. “O ato deliberado e intencional de tirar a vida é denominado suicídio. A expressão comportamento suicida se refere à presença de pensamentos de morte, plano suicida, tentativa ou o próprio suicídio”. Ele disse ainda que é preciso ficar atento à depressão resistente. “Esse é um termo que se refere ao paciente com um quadro de depressão já diagnosticado e que não respondeu a duas tentativas de tratamento. Infelizmente a porcentagem de depressão resistente é estimada em 30% do total de casos de depressão. Isso aumento o risco de suicídio, aumenta os custos de tratamento, aumenta o afastamento ou absenteísmo ao trabalho, enfim, é um caso mais grave de depressão”.

Como a depressão resistente é mais difícil de tratar, ela aumenta o risco de suicídio. “Quando o indivíduo apresenta uma depressão de difícil tratamento (resistente) é necessário a associação de medicações, psicoterapia e também a intensificação do tratamento com atividades terapêuticas (por exemplo a arteterapia, atividade física, musicoterapia). Uma forma do paciente ter acesso a essas terapias é através da Clínica Dia (atividades terapêuticas diárias e acompanhamento psiquiátrico e psicológico) e também em casos de urgência há a assistência integrada (que é o internamento de curta permanência para retirar o paciente da crise – também com acesso às atividades terapêuticas e avaliação psiquiátrica na Equilíbrio Urgência Mental)”, orienta o psiquiatra.

Na Urgência Mental em Aracaju, desde a pandemia da covid-19 houve o aumento de casos de ideação e tentativa de suicídio. Na instituição há leitos de observação e leitos para internamento de curta permanência (dez suítes no total), onde a taxa de internamento devido ao quadro de ideação suicida (pensamentos persistentes) ou tentativa (algum ato já realizado com a intenção de autoextermínio) ocorreram. A taxa se mantém em um número alarmante: de 50 a 60% dos casos de internamento. Além da porcentagem alta, também chama a atenção que a maioria desses pacientes são jovens (realmente adolescentes a partir dos 12 anos) e adultos jovens (entre 18 e 29 anos). Esse aumento na taxa de tentativas de suicídio entre jovens e adultos jovens já é apontada em inúmeras pesquisas sobre o tema no Brasil.

O indivíduo com pensamentos ou tentativa de suicídio necessita de atendimento médico de emergência. “Existe uma certa “graduação” entre a intensidade e o risco de suicídio que se iniciam com as ideias de morte (pensamento ocasional) e que podem evoluir para pensamentos de morte (de maneira persistente no pensamento) e chegando até a tentativa de suicídio propriamente dita. Outra coisa a se avaliar é a presença de impulsividade (mais frequente entre jovens e pessoas com personalidade instável e impulsiva), a presença de planejamento prévio (mais comum entre idosos)”, alerta Alexandre Agacir.

O psiquiatra afirma ainda que na avaliação sobre a forma que se apresenta a ideação ou tentativa de suicídio também é importante avaliar a história pessoal e saber se o indivíduo já apresentou tentativas prévias, qual o suporte social existente e na história recente desse indivíduo quais os “gatilhos” presentes como separação conjugal, desemprego, lutos, etc.

O principal fator de risco para o suicídio é a presença de um transtorno mental não tratado, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados à depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e abuso de substâncias. Segundo Alexandre Agacir, esse dado nos mostra a importância extrema de tratar os transtornos mentais. Além da presença dos transtornos mentais, temos outros fatores de risco que podem ser “gatilhos” de uma crise: separação conjugal, pouco suporte social, luto recente, desemprego, indivíduos solteiros e na faixa etária de maior risco – jovens e idosos.

Felizmente já existem novas opções medicamentosas para tratamento dessas duas situações graves (depressão resistente e ideação suicida). “Temos a cetamina (utilizada somente em ambiente hospitalar) para depressão e ideação suicida. Esse medicamento é um anestésico com efeito no aumento cerebral do glutamato (uma nova forma de antidepressivo) que é aplicado em ambiente hospitalar de forma endovenosa, intramuscular ou subcutânea (existe um protocolo para aplicação) e também o cloridrato de escetamina (derivado da cetamina) que tem uma apresentação para aplicação intranasal. A escetamina também só pode ser utilizada com indicação médica e em ambiente hospitalar. Tanto a cetamina como a escetamina seguem um protocolo médico de aplicações semanais (inicialmente duas vezes por semana nas primeiras quatro semanas) associadas aos antidepressivos orais tradicionais”, finaliza o psiquiatra.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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