Da redação, AJN1
O rendimento médio mensal real da população residente em 2021, foi de R$1.596. Isso representa uma redução de 11% na comparação com 2020 (R$1.795). No início da análise (2012), o rendimento era de R$ 1.784. O rendimento registrado em 2021 foi o menor desde o início da série histórica em 2012. Em âmbito nacional, esse rendimento foi de R$ 2.265, sendo que o estado do Maranhão registrou o menor rendimento do país, com R$ 1.270. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), publicada nesta sexta-feira (10), pelo IBGE.
O estudo investiga, regularmente, informações sobre os rendimentos provenientes de todos os trabalhos e de outras fontes não oriundas do trabalho das pessoas residentes no Brasil.
Dada a importância, o peso e a variabilidade dos rendimentos do trabalho, na PNAD Contínua sua captação é feita de duas formas. A primeira se refere ao rendimento bruto recebido no mês de referência pelo trabalho, classificado como rendimento efetivo do trabalho. A segunda forma se refere ao rendimento bruto normalmente recebido pelo trabalho, classificado como rendimento habitual do trabalho. Ambos são investigados em todas as entrevistas para moradores de 14 anos ou mais de idade, ocupados na semana de referência.
O rendimento de outras fontes, por outro lado, é pesquisado na primeira e na quinta entrevista, para todos os moradores do domicílio, e o valor considerado é o recebido no mês de referência da pesquisa.
Para efeito da presente análise, utilizam-se as informações dos rendimentos habitualmente recebidos de todos os trabalhos e dos recebidos de outras fontes no mês de referência, deflacionados a preços médios de 2021. Adicionalmente, para o cálculo dos indicadores, são considerados os dados acumulados de primeira entrevista, entre 2012 e 2019, e os de quinta entrevista em 2020 e 2021, devido ao melhor aproveitamento da amostra desta durante o período de pandemia do novo coronavírus.
Rendimento advindo de outras fontes
No primeiro ano da pandemia de covid-19 (2020), observou-se a redução do peso do trabalho e aumento de outras fontes de rendimento, no entanto, entre 2020 e 2021 o movimento foi o oposto. A tendência de aumento da parcela correspondente ao rendimento do trabalho e queda do peso do rendimento de outras fontes ocorreu em todas as Grandes Regiões.
Regionalmente, a Região Sul permanecia com o maior percentual de pessoas com rendimento habitualmente recebido de todos os trabalhos (47,2%). A Região Nordeste, por outro lado, registrava o menor percentual de pessoas com rendimento recebido de todos os trabalhos (33,4%) em 2021 e o maior percentual daquelas que recebiam de outras fontes (29,5%).
Vale ressaltar que os rendimentos considerados como de outras fontes, representam a categoria de aposentadoria e pensão, aluguel e arrendamento, doação, dentre outros.
Em Sergipe, 57,8% da população tinha rendimento advindo de todas as fontes, porém, somente em 36% esse rendimento era habitualmente recebido em todos os trabalhos. Outro detalhe é que em 29,1% das pessoas, o rendimento provém de outras fontes (aposentadoria e pensão, aluguel e arrendamento, doação).
O IBGE ressalta que em um período anterior à pandemia (2019), 12,6% era o percentual de pessoas com rendimento vindo de outros rendimentos, como é o caso de pessoas que recebem programas do Governo. Esse percentual saltou para 19% em 2020, no auge da pandemia, e voltou a reduzir-se em 2021, com 16,4%.
Programas governamentais
Em relação a todos os trabalhos, o rendimento chegou a R$1.802 em Sergipe no ano de 2021. Em 2020 era de R$1.967 e antes da pandemia, em 2019, R$1.777. Ou seja, também foi um rendimento que apresentou redução na passagem entre os anos de 2020 a 2021.
Em Sergipe, observou-se que 19,1% dos domicílios (ou 149 mil) receberam bolsa família em 2021, na comparação com 30,3% em 2019 e 15% em 2020. Como parte dos beneficiários do Programa Bolsa Família passou a receber o auxílio emergencial, entre 2019 e 2020 houve redução da proporção de domicílios que recebiam tal benefício.
Além disso, o percentual de domicílios que receberam rendimentos de outros programas sociais chegou a 26,6% (ou 207 mil) em 2021. Esse percentual é menor se comparado a 2020 (33%). Na análise nacional, o estado da Paraíba registrou o maior percentual de domicílios que receberam rendimentos de outros programas sociais (27%) e o menor foi registrado em Santa Catarina, com 5,8%.
O BPC foi o único rendimento que permaneceu estável nos últimos três anos, chegando a 4,6% em 2021, no estado de Sergipe. Essa estabilidade ocorreu em nível nacional.
Desigualdade social
O rendimento domiciliar per capita de quem faz uso do programa Bolsa Família é de R$ 308, na comparação com R$ 1.109 de pessoas que não recebem o benefício. Em relação ao recebimento de outros programas sociais, esse valor por pessoa chega a R$ 508, na comparação com R$ 1.099 que não recebe auxílio de outros programas sociais.






