Da redação, Joangelo Custódio
Lidivina Oliva Nadler, de 56 anos, é sergipana e mora em Roma, na Itália, há 16 anos. Concursada, ela trabalha como guia turística e afirma que nunca havia presenciado uma situação de reclusão e medo em virtude do coronavírus (covid-19).
O temor externado por Lidivina faz sentido. Isso porque até às 14h desta sexta-feira (20), a Itália registrou mais 627 mortes pelo covid-19 — a maior alta diária desde o início da pandemia, em meados de fevereiro. Com isso, o número de vítimas no país chegou a 4.032.
A sensação, afirma a sergipana, é de estar na atmosfera sombria das guerras. Mas ela acredita que o alto índice de contaminação do país renascentista, banhado pelo mediterrâneo, ocorreu porque o povo italiano subestimou o vírus oriundo da China, e o preço está sendo cobrado a cada lágrima que escorre da face dos familiares ao sepultar os seus mortos.
“A Itália tem sofrido muito com a emergência do coronavírus. Como no mundo inteiro, a Itália recebeu a notícia desse novo vírus que atingiu a China em janeiro. Inicialmente, nosso comportamento foi de que tem de se preparar, mas que era improvável que iria chegar aqui. Os mais velhos dizem que a situação é parecida com a Segunda Guerra. Nós subestimamos as normas de higiene, regras que poderiam ter contribuído para que a gente não chegasse a esse ponto de agora”, relata.
Na Itália, a região Norte é a mais atingida pelo covid-19, área a qual, segundo Lidivina, é considerada a mais rica e supostamente preparada para uma emergência desse tipo de pandemia.
Sistema de Saúde
A sergipana conta que na Itália o sistema de saúde é público e universal. “Aqui, quando uma pessoa chega para morar, essa pessoa tem que, por obrigação, para ter o documento de residência, escolher um médico nas vizinhanças e ele vai acompanhar toda a sua história de saúde pelo tempo que você morar naquele local. Isso foi de grande ajuda, porque, como o sistema de saúde é público e universal, por meio do médico de base, o Ministério da Saúde pôde rastrear o histórico clínico de cada pessoa. Isso é importante porque, pela nossa experiência, só o sistema público de saúde pode combater essa pandemia”.
Cotidiano mudado
Como o covid-19 se alastra com muita facilidade, os italianos, conta a sergipana, assim como em outras nações, passam a maior parte do tempo em casa, confinados. “O nosso cotidiano mudou em todos os sentidos. Cada vez mais tem ficado mais rígidas as regras de não sair de casa. Só saímos para fazer compra ou para irmos à farmácia ou ao médico. Não é uma coisa fácil, porque passar o dia todo dentro de casa tem um fator emocional, como medo e angústia, a incerteza”.
O único momento de alento é quando o relógio aponta às 18h. “Nessa hora, toda a vizinhança bate palma e nós nos saudamos”.
Mensagem
Diante da pandemia, a sergipana, que é casada com um norte-americano, ostenta um cartaz com as mensagens #iorestoacasa (eu fico em casa, na tradução do italiano para o português) e #andràtuttobene (vai ficar tudo bem).
Ela orienta a população brasileira a seguir todas as normas de segurança do Ministério da Saúde, porque o covid-19 não é brincadeira. “Minha mensagem é dizer que comecem a se preparar para respeitar todas as regras que podem impedir o alastramento do contágio no Brasil. É fazer com que a epidemia não se alastre no Brasil, como ocorreu aqui”.







