ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:02:06

Sindicato dos Jornalistas de Sergipe e governo do estado repudiam publicação misógina contra secretária da Fazenda

 

“Hoje, 06 de dezembro, é Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, e, mesmo ele tendo sido instituído em 2007 (pela Lei nº 11.489/2007), ainda há um longo caminho a percorrer.

O machismo está impregnado em nossa sociedade e ele se manifesta de várias formas. Por isso, foi com extrema indignação e repúdio que a direção do Sindijor/SE teve conhecimento da publicação de um texto com o seguinte título “Tem bebê a bordo numa secretária de pasta estratégica do governo de Fábio Mitidieri”.

Em onze linhas, o autor do texto, com o verniz de “preocupação”, espalha machismo, misoginia e contribui para que, mais uma vez, as mulheres que são mães (ou pretendam ser), sejam questionadas da sua capacidade profissional por terem engravidado e por exercerem o seu direito à licença-maternidade.

Criado em 59 a.C. por Júlio César, a arte do Jornalismo é composta pela ética, cidadania, responsabilidade social e, sobretudo, pelo múltiplo respeito. Passados 2.082 anos do nascimento desta nossa identidade profissional, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sergipe (Sindijor/SE), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) repudiam quaisquer manifestações – sejam elas profissionais e/ou amadoras -, capazes de minimizar a conquista de espaços e direitos.

Ser profissional e mãe continuará sendo uma tarefa árdua enquanto não questionarmos o sistema que vivemos, pois ele se retroalimenta do machismo, da misoginia, da violência, do racismo.

O Sindicato dos Jornalistas de Sergipe se impõe como entidade sindical para fortalecer a luta em defesa da mulher, independentemente da sua respectiva área de atuação, a fim de colaborar para o fim do assédio moral, sexual, a misoginia ou qualquer outra postura protagonizada por um ser humano autodenominado como pensante.

É fundamental que nós, mulheres e homens, jornalistas, nos posicionemos contra ações que reforcem preconceitos”.

O que diz Érica Mitidieri, primeira-dama e secretária de Estado da Assistência Social e Cidadania

“Registro minha solidariedade à secretária de Estado da Fazenda, Sarah Tarsila Andreozzi, diante do ataque misógino sofrido enquanto mulher e profissional capacitada, por parte de um comunicador sergipano. Num contexto em que as mulheres cada vez mais lutam para avançar em suas carreiras, apesar do cenário de desigualdade enfrentado diariamente, uma mulher ter questionada sua capacidade de seguir à frente da função que ocupa por conta da maternidade é uma violência.

Vivemos hoje em Sergipe um momento histórico, em que as mulheres têm sido valorizadas, especialmente nos cargos de gestão no Governo do Estado. Assim como eu e Sarah, outras tantas mulheres capacitadas estão à frente de secretarias, órgãos, superintendências e diretorias. No futuro que já iniciou neste governo, que prima pela equidade de gênero, não vamos admitir como normal ataques dessa natureza.

O Brasil, infelizmente, ainda é um país em que as mulheres muitas vezes são preteridas no momento de seleção para empregos pelo simples fato de serem mulheres e poderem vir a gestar. Muitas delas não conseguem voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade, seja por dispensa do empregador ou por não terem com quem deixar seu filho. Gerar uma nova vida não deve ser empecilho para que as mulheres sigam sua vida profissional.

Na atual gestão, Sergipe conta com oito mulheres no comando de secretarias. Pela primeira vez, mulheres ocupam o cargo de secretária da Fazenda e o comando do Gabinete Militar. Nossa atuação para o fortalecimento da equidade de gêneros está no início. Portanto, não podemos tolerar que atitudes como esta partam de profissionais que têm o dever de bem informar a população”.

 

 

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