ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:03:20

Sindimed-SE participa de audiência pública na Câmara de Aracaju contra privatização da Saúde

O Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed-SE) participou na manhã desta segunda-feira, 27, de audiência pública na Câmara de Vereadores, com a presença unificada das demais classes da área da saúde do Município de Aracaju.

A audiência pública, bastante disputada, objetivou evidenciar a indignação, por parte das classes representadas, com a postura da Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que tenta implantar, de maneira autoritária, o processo de terceirização da assistência primária na 1ª e 2ª regiões da capital pelos próximos 25 anos, com o projeto de Parceria Público-Privada (PPP), num contrato avaliado em mais de R$2,3 bilhões.

A audiência pública, acatada e coordenada pelo vereador Isac Silveira, contou ainda com a participação de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público, demais vereadores, entidades de saúde correlatas, bem como da Prefeitura de Aracaju.

Na avaliação do secretário geral do Sindimed-SE, João Augusto, continuar terceirizando a saúde pública só trará transtornos à população e aos trabalhadores.

“Este ato público é contra a privatização da saúde. Nós, Sindicato dos Médicos, demais sindicatos da área de saúde, estamos tentando convencer e mostrar aos vereadores e sociedade sobre o processo pleno de privatização da saúde de Aracaju. Quero dizer ao senhor prefeito Edvaldo Nogueira e à secretária Waneska Barboza que isso não trará melhorias à população”, destacou João Augusto.

Ainda de acordo com João, a população já detectou diversos problemas na saúde de Aracaju, que são oriundos da rede privada. “Temos como exemplos os setores de marcação de exames e de consulta, de medicamentos, todos eles já são geridos pela rede privada e que são as principais reclamações da sociedade. Sou médico da Prefeitura e sabemos que essa privatização está acontecendo há muito tempo. São questionamentos que precisam ser colocados à população. Não vejo a privatização como o melhor para a população”, avaliou.

Opinião semelhante tem o médico Alfredo Andrade, integrante da direção executiva do Sindimed. “É um absurdo privatizar a saúde de Aracaju. Vai passar um cheque de dois bilhões para a iniciativa privada. Se tem dinheiro para a iniciativa privada, porque não tem, agora, para consertar o que estava errado? A população que vai sofrer. Depois os trabalhadores. É por isso que os sindicatos estão aqui reunidos contra a privatização da saúde de Aracaju”, colocou.

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe, Shirley Morales, informou que o contrato, via PPP, ainda traz insegurança jurídica para as leis trabalhistas, além de deixar o serviço de saúde precarizado.

“Mobilizamos as categorias para esta audiência pública com o objetivo de a população ter acesso ao que está acontecendo com a Saúde de Aracaju. As unidades da primeira e segunda região vão ser repassadas para a iniciativa privada. Esse processo tem vários vícios de ilegalidade, além do não cumprimento de critérios estabelecidos, previstos, inclusive, em leis municipais. Existe um grande prejuízo para os trabalhadores, que é a precarização do serviço. Também existe o fato de existir, na minuta de contrato, a permissão para que a empresa ganhadora da licitação fique autorizada a terceirizar os seus serviços. Ou seja, há uma insegurança jurídica muito grande para as leis trabalhistas. As providências já estão sendo tomadas pelos sindicatos. Preparamos as peças para abertura de procedimento junto aos órgãos fiscalizadores”, disse a sindicalista.

O vereador Isac informou que vai pedir a suspensão da PPP. “Discutimos esta situação com as categorias de classe. Afinal, são quase R$2,5 bilhões. Convidamos as categorias para conversar e debater. Se a PPP for aprovada, significa que a Saúde fica terceirizada. Queremos entender melhor e aprofundar esse assunto. Mas não haverá PPP sem a participação dos vereadores da Câmara de Aracaju, nem da sociedade. Inclusive, nós vamos levar ao Poder Executivo, ao Poder Judiciário o pedido de suspensão imediata da PPP. Ao final da reunião, vamos passar aqui uma lista, um abaixo-assinado pedindo a suspensão imediata da PPP”, frisou.

Vale frisar que, no último dia 16 de março, a Secretaria de Saúde de Aracaju realizou uma audiência pública para apresentação do projeto de PPP. A audiência, que aconteceu de 9h às 11h de maneira remota, foi bastante criticada pelas categorias de classe, que sentiram-se cerceadas do direito de participar presencialmente, no intuito de conhecer mais o projeto.

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