ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:03:45

SOBRASP: Sergipe contabilizou 446 falhas na assistência à saúde em crianças de 0 a 11 anos no período.

 

 

De acordo com dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), compilados pela SOBRASP – Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente – entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025 foram notificados no Brasil 459.746 eventos adversos e falhas na assistência à saúde em serviços públicos e privados. Desse total, 47.853 ocorrências envolveram crianças de 0 a 11 anos. Em 2024, foram registrados 43.944 eventos adversos nessa mesma faixa etária.

O estado de Sergipe contabilizou 446 falhas na assistência à saúde em crianças de 0 a 11 anos no período.

É importante destacar que os números apresentados são absolutos e não correspondem a taxas padronizadas (por exemplo, por 100 mil crianças vivas por faixa etária e evento adverso). As faixas etárias analisadas foram: <28 dias; 29 dias a 1 ano; 2 a 4 anos; e 5 a 11 anos. Esses dados podem estar subnotificados, ou seja, podem ser ainda maiores.

 

Os números revelam um cenário preocupante para os pacientes mais vulneráveis: as crianças. Nos hospitais, as principais causas relacionadas aos eventos adversos, envolvendo esse público, são decorrentes de falhas na comunicação entre os profissionais de saúde e os familiares e a falta de envolvimento da própria criança em seu cuidado. Isso tem levado a danos desnecessários como lesões por pressão (dano causado na pele e nos tecidos moles), quedas e a administração incorreta de medicamentos.

UF/BRNÚMEROS DE EVENTOS ADVERSOS DE 01 DE JANEIRO A 14 DE DEZEMBRO DE 2025 – ANVISA
 29 dias a 1 ano2 a 4 anos5 a 11 anosTOTAL
< 28 dias
BR15339171616810854347853
AC1851226
AL142962430292
AP540110
AM309248139158854
BA8379874246112859
CE4757502513181794
DF69712454204242786
ES25828097150785
GO2185462653681397
MA3375102492951391
MT77492918173
MS3874942342571372
MG36573459109115389745
PA201291169239900
PB822306811241333
PR105310414165363046
PE6959714336102709
PI36726286133848
RJ6478114354392332
RN282221121140764
RS2174651472141043
RO53594547204
RR3742621124
SC11019733214042799
SP21792653115513027289
SE1201996067446
TO1821629197532
TOTAL15339171616810854347853

 

Segundo Paola Andreoli, presidente da SOBRASP, a prioridade da entidade é promover cuidados mais seguros a partir da implementação da participação dos pacientes e seus familiares na assistência, diretrizes essas definidas no Plano Global para Segurança do Paciente 2021-2030, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os gestores de serviços de saúde devem implantar estratégias que permitam a participação e engajamento de pacientes e familiares no cuidado. Talvez a atitude mais importante, contudo, seja a preparação dos processos de cuidado e dos profissionais para que considerem a opinião e preferências dos pacientes e seus familiares. Ouvir os pais e envolvê-los no cuidado é uma importante atitude de segurança”.

Promover a participação do paciente, na melhoria da segurança dos cuidados em saúde, implica a integração deste na tomada de decisão, de forma consciente e informada. “Desta forma, o paciente e seus familiares, em especial quando se trata de crianças e adolescentes, devem conhecer todo o plano de diagnóstico e tratamento delineado pela equipe de saúde, participando de ações como: prover todas as informações sobre histórico de doenças prévias, alergias e outras circunstâncias, identificar mudanças não planejadas ocorridas no cuidado, questionar ativamente as propostas de tratamento e acompanhar sua execução”, alerta a pediatra Priscila Amaral, membro da SOBRASP.

E ainda ressalta que o engajamento dos pais no cuidado da criança é imprescindível para promover a segurança. “Os pais são as primeiras testemunhas quando ocorrem erros de medicação, falhas quanto à adesão aos procedimentos de segurança, como a higiene das mãos, e problemas com transferência de informações durante as mudanças de turno”, finaliza dra Priscila.

Plano Global de Segurança do Paciente 2021-2030 – A OMS lançou o Plano Global de Segurança do Paciente 2021–2030, que reforça o papel de pacientes e familiares como parceiros essenciais para uma assistência à saúde mais segura. A iniciativa propõe o envolvimento ativo da sociedade na construção de políticas e estratégias, além do aprendizado a partir de experiências com cuidados inseguros para o desenvolvimento de soluções mais eficazes. O plano também destaca a importância da transparência nos serviços de saúde, incluindo a comunicação de incidentes aos pacientes e familiares, e do acesso à informação e à educação em saúde, incentivando o autocuidado e a tomada de decisões compartilhadas.

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