A igualdade impera na sua espantosa maioria. Ou o segundo pisa nas mesmas pegadas do primeiro, e assim por diante. O certo é que as cenas se repetem em quase todos. As exceções pululam aqui e ali. Me refiro aos filmes de caubói. Um exemplo, na cena inicial: um cavaleiro na estrada, de preferência em meio a serras, sobe serra, desce serra, ou passa no meio de duas, e assim vai até chegar a uma povoação, entrando pela rua principal, onde, apesar do pequeno tamanho, há sempre muitos homens em todas as calçadas, sentados ou em pé, casais desfilando, carroças passando, e o olhar atento ao estranho que chega. Já cansei de ver filmes de caubói assim, ver, não, melhor dizendo, rever, aproveitando programas nos quais os velhos filmes foram incluídos.
O mais se repete: o saloon onde o uísque é ingerido por todo mundo, como se fosse água, local que é o centro principal para brigas e trocas de tiros, destruição de cadeiras, jogadores de baralho que perdem acusando o vencedor de trapaça, os cavalos amarrados na entrada, lugar em que mulher de respeito não frequenta, ostentando no segundo piso quartos sem banheiro nem sanitário, edifícios de madeira que, de longe, parecem ser tão pequenos, heróis e bandidos que só se utilizam de uma só roupa durante todo o filme, ou alguns que se apresentam impecavelmente trajados.
Os homens, nas calçadas, acobertados pela sombra que a cobertura proporciona, nada fazem, ali o dia inteiro só a observar o estranho que chega, todo o movimento da povoação repousando na rua central, aliás, única, onde até a carruagem atraca e de onde sai, tudo se repetindo nos velhos filmes de caubói que encheram meus tempos de menino, se prolongando pela época do ginásio.
As inovações, raras. O repeteco reiterado. Eu, a assistir novamente, atento a todos os lances, A curiosidade no comando. Vejo o que já vi em priscar eras, com o mesmo entusiasmo da primeira vez. Anoto as semelhanças. No silêncio de meus pensamentos, critico, critico, mas gosto, certo de ainda assistir outra vez. Não consigo me entender.