ARACAJU/SE, 24 de abril de 2026 , 13:52:43

Acidentes com motociclistas crescem em Aracaju e acendem alerta para autoridades

 

Os acidentes e mortes envolvendo motociclistas em Aracaju seguem em nível preocupante e acendem um alerta para órgãos de trânsito, saúde e segurança pública. De janeiro até o dia 23 de abril deste ano, foram registrados 12 óbitos na capital envolvendo condutores de motocicleta, segundo dados da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), do BPtran, do BPRv e do Instituto Médico Legal (IML). O número representa alta de cerca de 9,09% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 11 mortes. Em todo o ano de 2025, foram 1.782 sinistros com motociclistas em Aracaju, sendo 34 fatais e 1.748 não fatais.

Diante do cenário, a SMTT vem intensificando o debate sobre medidas de prevenção e realizou nesta quinta-feira (23) a sexta reunião do Grupo de Estudos que reúne órgãos de trânsito, segurança pública, saúde e educação. O encontro, realizado na sede da autarquia, deu continuidade a um ciclo de discussões iniciado no ano passado e teve como foco a busca de soluções para reduzir acidentes e mortes envolvendo motociclistas na capital.

O superintendente da SMTT, Nelson Felipe, demonstrou preocupação com os índices. “Essa é uma grande preocupação muito grande que nós temos. Precisamos unir os governos das três esferas para trazermos soluções. A cada dia que passa temos mais situações perigosas e preocupantes para a sociedade no que diz respeito aos sinistros envolvendo motocicletas. Temos que tomar providências e, juntos, trazer ideias para que se possa reduzir algo que está se assolando na sociedade”, afirmou.

Ele também destacou que o problema tem se repetido em outras regiões. “Converso muito com colegas da região, principalmente do Nordeste, e parece que temos uma epidemia de sinistros envolvendo motos. Muitas pessoas ainda não estão obedecendo às leis de trânsito. As irregularidades são absurdas. Este ano, a SMTT praticamente duplicou o número de autuações, e mesmo assim, a quantidade de sinistros continua elevada. Então eu continuo pedindo a todos para possamos pensar soluções para resolver esse problema”, disse.

O encontro contou ainda com a participação do médico e ex-superintendente do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), Roberto Gurgel, que apresentou dados sobre a pressão no sistema de saúde. Segundo ele, o hospital realiza cerca de 500 cirurgias ortopédicas por mês, sendo 85% relacionadas a acidentes com motocicletas. “Essa situação está ceifando vidas e deixando muitas vítimas sequeladas pelo resto da vida, sendo a maioria jovens. Há uma necessidade de toda a população em entender a magnitude deste problema. É preciso que as pessoas possam, a partir daí, criar mecanismos para que os sinistros não aconteçam mais. Acho bom estarmos aqui conversando sobre isso. A solução é multifatorial, mas acredito que começa pela educação”, disse.

Durante a reunião, o Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) apresentou proposta de ações educativas voltadas a motociclistas profissionais, como motoboys, entregadores e vendedores externos. O projeto inclui palestras e treinamentos práticos com foco em técnicas de condução, como controle em baixa velocidade, desvio de obstáculos e frenagem de emergência.

O debate foi elogiado pelos participantes. O deputado estadual Georgeo Passos destacou a gravidade do problema. “Eu não tinha dimensão dessa problemática e do número de vítimas que temos em Sergipe. Então a gente faz com que as políticas públicas sejam feitas também para coibir. Estamos vendo jovens perdendo as suas vidas ou ficando sequelados, e isso também vai ter um peso no Estado, tanto na área da saúde, quanto na área da Previdência. E o melhor caminho é a prevenção. Estão de parabéns a SMTT e todos os órgãos que fazem parte desse grupo de estudos, que estão buscando soluções para reduzir esse números”, declarou.

A enfermeira do Samu Sergipe, Daniele Martins, também reforçou a preocupação com a demanda crescente. “Somente no ano passado, o Samu atendeu mais de 67 mil ocorrências, quase metade delas em Aracaju. Muitas delas tiveram a ver com pessoas conduzindo motocicletas. Precisamos dessa força-tarefa e mostrar isso para a população, a realidade do que está acontecendo”, destacou. Segundo dados apresentados por ela, em 2025 o Samu atendeu 2.847 colisões entre carro e moto, 1.004 colisões entre motos e 146 colisões entre moto e caminhão.

O comandante do BPRv, tenente-coronel Adelvan Silveira, também reforçou a necessidade de integração entre os órgãos. “Infelizmente a motocicleta é o principal alvo dos sinistros de trânsito. Em diversos casos, em finais de semana, praticamente todas as ocorrências atendidas pelo BPRv são com moto. Então todos os órgãos aqui reunidos têm essa preocupação de conscientizar o motociclista de que ele precisa se proteger e respeitar a legislação de trânsito. Nesta reunião vamos alinhar o planejamento adequado para informar à população sobre esses dados estatísticos, e também fiscalizar e educar os cidadãos”, afirmou.

*Com informações AAN

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