Petrobras confirma hibernação da Fafen-SE

Da redação, AJN1

Por meio de nota, a Petrobras confirmou que iniciou o processo de hibernação da fábrica de fertilizantes em Sergipe (Fafen-SE) e que segue com o processo licitatório para arrendamento desta unidade, assim como da unidade na Bahia (Fafen-BA).

A Petrobras alega que decidiu pela saída do negócio de fertilizantes em função da “persistência de prejuízos e destruição de valor decorrente da operação dos ativos”. Nesse contexto, cancelou um projeto, paralisou a construção de outro, está negociando sua venda e iniciou o processo de investimento da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) e optou pela hibernação das fábricas da Fafen-SE e Fafen-BA para as quais não houve manifestação de interesse por parte de potenciais compradores, conforme anunciado em 20 de março de 2018.

Segundo a Companhia, foi oferecida aos empregados lotados na Fafen-SE oportunidades de movimentação interna que conciliem perfis e perspectivas pessoais com as necessidades da empresa. “Um efetivo mínimo permanecerá em rotina operacional com o objetivo de garantir a integridade e a segurança das instalações”.

Atualmente, conforme a estatal, mais de 80% do mercado de ureia, principal produto do segmento de nitrogenados, já é atendido por importações. “Com respeito ao mercado de amônia, em que a Petrobras responde por 30% da oferta, a companhia está investindo em infraestrutura de logística no porto de Aratu (BA) para viabilizar o atendimento de clientes localizados no Polo de Camaçari e no curto prazo continuará a satisfazer a demanda através venda de seus estoques remanescentes.”

Plano

Para mitigar o impacto social na região de Laranjeiras, a Petrobras está desenvolvendo um plano de projetos sociais em associação com instituições de ensino, com investimentos previstos no valor de R$ 26 milhões para o período de 2019 a 2022, dispêndios que equivalem a mais de duas vezes a estimativa da arrecadação anual de impostos (ISS e ICMS) originada pelas operações da Fafen-SE para o município de Laranjeiras.

Em relação à fábrica de fertilizantes na Bahia (Fafen-BA), permanece a intenção de sua hibernação e também do processo licitatório de arrendamento. No entanto, a companhia foi intimada, ontem, de decisão liminar em ação proposta pelo SINPEQ, suspendendo a sua hibernação, e tomará as medidas judiciais cabíveis para reverter esta decisão.

“Nem aceitamos hibernação, nem privatização”, afirma Edvaldo Leandro, diretor do Sindipetro AL/SE. “Essa fábrica é um patrimônio do povo brasileiro. Além da geração de emprego e renda, trata-se da defesa da nossa soberania e segurança alimentar. A Fafen é um patrimônio, que é nosso”, diz.

Reunião

O governo de Sergipe foi avisado sobre o possível fechamento da Fafen no dia 19 de março de 2018, e o processo de hibernação, denominado pela Petrobras, estava previsto para acontecer em 1º de novembro daquele ano, mas foi postergado. O governador Belivaldo Chagas disse que vai solicitar uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, ainda este mês, com o objetivo e reverter a hibernação.

Fundação

A fábrica de Sergipe entrou em operação em 1982 e marcou um novo ciclo do desenvolvimento no estado, com a construção da adutora do Rio São Francisco, a ampliação da rede de energia elétrica, a revitalização da ferrovia que liga Sergipe à Bahia e ainda com a instalação do Terminal Portuário Ignácio Barbosa, em Barra dos Coqueiros, a 36 quilômetros de Aracaju.

Ocupando uma área de 1 Km², a fábrica produz amônia, ureia fertilizante, ureia pecuária, ureia industrial, ácido nítrico, hidrogênio e gás carbônico.

Desde 2014, a Fafen conta com uma planta de produção de sulfato de amônio com capacidade para produzir até 303 mil toneladas/ano, o que equivale a 80% da importação da região Nordeste em 2014. O sulfato de amônio contém nitrogênio na composição e também é excelente fonte de enxofre, muito utilizado no cultivo de milho, cana-de-açúcar e algodão.