- 09/04/2018 - 16:45

Testemunhar o Ressuscitado

 

Pe. Everson Fontes Fonseca,

Administrador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Mosqueiro

 

Nestes dias da Santa Páscoa, são marcas características as atitudes de testemunho dos Apóstolos do Ressuscitado. Pedro, João, Maria, a Madalena, e de toda a Igreja, na experiência com Jesus, são capazes de passar da incerteza da Quinta, da Sexta e do Sábado, para, no prorromper da manhã de Páscoa, saberem que o Sol-Cristo é invicto, é triunfante.

Segundo o Evangelho de São João, na primeira narrativa da Ressurreição dentre as cinco manifestações do Cristo Vitorioso trazidas pelo “Evangelista Teólogo”, Maria Madalena, ao ir procurar no sepulcro Aquele que a morte não pudera conter, porque é Deus, aflita, por ver o túmulo violado, reclama ao Príncipe dos Apóstolos e ao Discípulo Amado: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” (Jo 20,2). Percebam que o verbo ‘saber’ está conjugado na primeira pessoa do plural – ‘nós’ – designando não apenas Maria, mas um grupo, que, talvez, se refira às mulheres piedosas que acompanhavam Jesus pelo caminho. Maria, não quer tirar conclusões precipitadas: ela apenas testemunha o evidente: o corpo do Senhor no sepulcro não está. Por isso que, correndo, foi chamar Pedro e João. E o que isso tem demais? Explico-lhes: Pedro, como ‘pedra’, é palavra oficial da Igreja. E, se o dogma da Ressurreição do Senhor nunca foi solenemente proclamado por nenhum outro Papa, é porque a fé cristã fundamenta-se no dado da Ressurreição de Cristo, de maneira que o Apóstolo São Paulo exclamará: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. Além disso, seríamos convencidos de ser falsas testemunhas de Deus, por termos dado testemunho contra Deus, afirmando que ele ressuscitou a Cristo” (1Cor 15,14-15). Mas, com a sua ida ao sepulcro aberto, o Papa Pedro testemunha: Cristo ressuscitou. Daí haver a certeza da Igreja, testemunhando-O: “O Senhor, realmente, ressuscitou, e a Simão apareceu” (Lc 24,34).

Somente após o pronunciamento de Pedro, não expresso nos Evangelhos, acerca da ressurreição, é que Maria Madalena, consoante ao testemunho da Igreja é capaz de afirmar com toda a certeza. Por isso, no canto da Sequência, proposto para o gaudioso Dia de Páscoa, inquirirmos à Madalena: “Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia? ‘Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol… O Cristo, que leva aos céus, caminha a frente dos seus!”. Mas, se não temos nos Evangelhos o discurso de Pedro naquela manhã pascal, sabemos que ele não difere do grande testemunho que o Príncipe dos Apóstolos, na casa de Cornélio, o Centurião, nos oferece: “E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas as testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,39-41); ou, até mesmo antes, na alocução da manhã de Pentecostes (cf. At 2,14-36).

É interessante que nós, muito embora não tenhamos, propriamente, visto o Ressuscitado, sabemos que Ele está vivo e é vitorioso. Sabemos pela Fé Católica, recebida, integralmente, dos Apóstolos; sabemos pela experiência de vida nova a que somos chamados e já experimentamos. E, se o sabemos convictamente pela fé e pela experiência, somos invitados, por missão, a darmos o passo do testemunho para o mundo, ainda envolto nas sombras da morte; mundo apartado, por livre decisão sua, da alegre luz do Ressuscitado. Testemunhar é nossa missão, desde a experiência com o Senhor no Batismo. O testemunho que vale muito mais do que um mero saber. Aos jovens do Brasil, no Estádio do Pacaembu, no dia 10 de maio de 2007, o Papa Bento XVI, vai explicitar a consistência do testemunho. Diz-nos o Santo Padre: “O testemunho vale mais que a ciência, ou seja, é a própria ciência aplicada”. E como aplicaremos, na prática hodierna, o testemunho da Ressurreição de Jesus? Pela vivência alegre da vida de Cristo transparente na nossa vida, de maneira que o nosso agir seja aquele de quem possui uma vida nova, liberta do pecado. E o mundo carece de amostras desta vida nova. Somos os cristãos quem o deveremos dar. Isso é testemunhar o Cristo, e este Crucificado e Ressuscitado em nosso viver.

Ao Vitorioso da morte, do pecado, do Inferno, que vive e impera, honras e glórias Lhe sejam dadas na Igreja por todo o sempre. Amém.