ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:01:24

Até 1 de agosto deste ano, Sergipe registrou 255 casos de sífilis em bebês

Da redação, AJN1

Até o dia 1º de agosto deste ano, foram registrados 255 casos de sífilis (congênita) em bebês em todos o estado de Sergipe, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). No decorrer de todo o ano de 2022, o total de casos atingiu 451. No que se refere às ocorrências de sífilis em gestantes, o ano de 2022 contabilizou 1.096 casos, enquanto até o primeiro dia deste mês, 646 casos reportados.

A doença é uma infecção passível de transmissão vertical, ocorrendo da mãe para o feto durante o período gestacional, e pode acarretar complicações como aborto, manifestações cutâneas e malformações congênitas.

O teste rápido para sífilis é prático, de fácil execução e é ofertado gratuitamente nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado sai em, no máximo, 30 minutos. O principal tratamento é feito com penicilina, também disponível no SUS com prescrição médica e com orientação do profissional da saúde.

Existem duas formas principais de denominar a sífilis:

  • Sífilis adquirida

Transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo vaginal, anal ou oral sem o uso de preservativo.

  • Sífilis congênita

A gestante transmite a doença para o bebê durante a gravidez ou no parto. Ela pode se manifestar logo após o nascimento ou depois de dois anos de vida da criança. Durante a gestação, a sífilis pode provocar aborto espontâneo ou parto prematuro. Também pode gerar consequências graves ao bebê, como surdez, cegueira, alterações ósseas, má-formação, deficiência mental, podendo levar até à morte.

Sintomas

A doença se manifesta de acordo com o estágio de desenvolvimento. Dessa forma, pode ser classificada entre sífilis primária, sífilis secundária, sífilis terciária e sífilis latente.

Na fase primária, entre 10 e 90 dias após o contágio, surgem feridas no pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele. Essa ferida não causa dor, coceira, ardência ou pus e pode estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. A ferida desaparece sozinha, mesmo que não seja tratada.

Na sífilis secundária, os sinais aparecem entre seis semanas e seis meses após o aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem surgir manchas pelo corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Além das manchas, pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas desaparecem em algumas semanas, mesmo sem tratamento, trazendo falsa impressão de cura.

A sífilis terciária pode surgir entre um e 40 anos após o início da infecção e costuma apresentar lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.

Nos casos de sífilis latente, a doença é assintomática. Neste cenário, é definida como latente recente (até um ano de infecção) ou latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração dessa fase é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Prevenção

A principal forma de transmissão de sífilis é por meio de relações sexuais desprotegidas. Para prevenção, é fundamental o uso de preservativo interno ou externo. Em 2022, o Brasil distribuiu 413 milhões de preservativos externos e 7,4 milhões de internos para os 26 estados e o Distrito Federal.

AÇÕES

A SES afirma que realiza ações junto aos profissionais de saúde e a população voltadas para a prevenção de sífilis, bem como, outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Em relação aos profissionais de saúde, gestores, coordenadores de vigilância e profissionais da Atenção Primária, a SES diz que está sempre realizando capacitações específicas sobre sífilis, com ênfase na sífilis congênita. Inclusive, houve recentemente uma capacitação no manejo clínico das sífilis para médicos e enfermeiros.

Na área de prevenção, a SES diz que realiza várias campanhas educativas em diversos segmentos. Junto às populações mais vulneráveis são realizados testes rápidos para diagnóstico da sífilis. Essas pessoas com teste rápido reagente, são encaminhadas para as Unidades Básicas de Saúde para confirmação e tratamento. Para a população geral, nas ações educativas, há o incentivo do uso do preservativo que é uma importante forma de prevenção. Também ocorre o incentivo de testagem, que é um dos motivos do aumento dos casos, pois aumentou a detecção.

A SES realiza, ainda, supervisão nas maternidades com relação à melhoria do pré-natal, dispensação de medicamentos e realização dos testes de diagnóstico. As empresas são orientadas para que recomendem o teste de sífilis nos exames periódicos. O objetivo é orientar os profissionais da Atenção Primária para que incluam os homens no pré-natal e também na maior detecção de gestantes que estão sem pré-natal.

A Secretaria de Estado da Saúde distribui os testes rápidos para todos os municípios, bem como o principal medicamento para tratamento da sífilis, que é a penicilina benzatina. A SES está elaborando uma nova campanha de prevenção – Outubro Verde – mês de mobilização nacional sobre sífilis. Nesta campanha, serão realizados seminários e palestras sobre o tema, em diversas instituições da Saúde e também nas empresas. O objetivo é seguir com a oferta dos testes rápidos com a unidade móvel ‘Fique Sabendo’, buscando detectar os casos e encaminhar para tratamento.

 

 

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