ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:04:10

Diretriz atualiza manejo clínico da obesidade no país

 

 

A nova diretriz da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica reforça uma mudança de abordagem no tratamento da obesidade no país. O documento estabelece que o uso de medicamentos não deve ocorrer de forma isolada, mas sempre associado a intervenções no estilo de vida, com orientação nutricional e prática regular de atividade física. A recomendação integra um conjunto de 32 diretrizes voltadas ao cuidado clínico da doença.

O texto define como critérios principais para a prescrição farmacológica o Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m² ou a partir de 27 kg/m² quando há comorbidades relacionadas à adiposidade. Em situações específicas, a diretriz admite a indicação de tratamento mesmo fora desses parâmetros, desde que haja aumento da circunferência abdominal ou da relação cintura-altura associado a complicações clínicas. A proposta reflete um cenário mais complexo, que exige avaliação individualizada e decisões clínicas baseadas em evidências.

A diretriz também amplia o olhar sobre a obesidade ao considerar condições frequentemente associadas, como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, apneia do sono e perda de massa muscular. Ao mesmo tempo, faz alertas sobre práticas sem respaldo científico, como o uso de fórmulas manipuladas com diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes ou gonadotrofina coriônica humana (hCG), que não apresentam eficácia comprovada e podem trazer riscos à saúde.

Na avaliação do médico gastroenterologista e cirurgião geral, Dr. Mauro Lúcio Jácome, o documento consolida um entendimento já presente na prática clínica. “A obesidade é uma doença multifatorial. Não existe solução única. O tratamento exige acompanhamento contínuo, mudança de comportamento e, quando indicado, suporte medicamentoso dentro de um plano estruturado, É que o avanço das terapias ampliou as possibilidades, mas também aumentou a responsabilidade na indicação correta”, salienta.

Jácome destaca que o uso isolado de medicamentos tende a produzir resultados limitados e, muitas vezes, temporários. “Sem ajuste alimentar e sem atividade física, o paciente dificilmente sustenta a perda de peso. O medicamento atua como ferramenta, não como solução definitiva. Também é importante prestar atenção no risco de automedicação e para a busca por alternativas sem validação científica, impulsionada pela promessa de resultados rápidos”, completa.

Nesse contexto, fármacos mais recentes, como a tirzepatida, passam a ocupar espaço relevante no arsenal terapêutico. “A substância atua em mecanismos hormonais que regulam o apetite e o metabolismo, com impacto consistente na perda de peso em estudos clínicos. Ainda assim, especialistas ressaltam que seu uso deve seguir critérios rigorosos e sempre integrado a um plano de cuidado mais amplo. A diretriz da Abeso reforça esse ponto: mesmo com avanços farmacológicos, o tratamento da obesidade permanece centrado na combinação de estratégias, em que a medicação funciona como apoio e não como solução isolada”, finaliza Dr. Mauro.

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