ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:22:28

Duzentos anos da Independência: a importância das lutas populares no processo de emancipação do Brasil

Na segunda reportagem da série sobre os 200 anos da Independência, a repórter Mônica Sanches mostra a importância das lutas populares no processo de emancipação do Brasil.

Salvador fez uma festa emocionante no último dia 2 de julho. É tradição antiga, interrompida pela pandemia. Após dois anos de pausa, as casas foram enfeitadas e a multidão voltou para a rua.

Os baianos comemoram o 2 de julho desde 1824 porque eles sabem que a vitória lá foi fundamental para a conquista da Independência do Brasil.

Em janeiro de 1823, as marisqueiras e outros moradores de Itaparica conseguiram evitar o desembarque dos soldados portugueses nas praias da ilha, ponto estratégico na Baia de Todos-os-Santos. Salvador estava tomada pelo exército português.

 

Somente no dia 2 de julho de 1823 acabou a ocupação portuguesa na Bahia. O Império do Brasil nasceu em uma guerra com cerca de 4 mil mortes. Os confrontos aconteceram antes e depois de setembro de 1822.

A população começou a enfrentar e a expulsar as tropas portuguesas em agosto de 1821, em Pernambuco. No início de 1822, explodiram os conflitos na Bahia. Em 1823, as batalhas aconteceram no Piauí. E logo depois no Maranhão e no Pará, onde lideranças políticas decidiram apoiar as tropas de Portugal. Montevidéu, hoje capital do Uruguai, pertencia ao Brasil, e lá a guerra só acabou em fevereiro de 1824.

O professor da USP e historiador João Pimenta calcula que, na época, os exércitos dos dois lados mobilizaram mais de 60 mil homens e que 2% dos habitantes do Brasil se envolveram de alguma forma nestas lutas. Hoje seriam 4 milhões de pessoas.

Os túmulos de um cemitério no interior do Piauí são de heróis anônimos da Batalha do Jenipapo, sertanejos que não sobreviveram ao confronto em 13 de março de 1823.

 

Os combates no Piauí tiveram a participação dos antepassados de indígenas da etnia Tabajara. Batalhas em outras regiões também tiveram guerreiros com arco e flecha entre as tropas brasileiras.

Nos principais monumentos da Independência no Rio, em São Paulo e na Bahia, figuras indígenas ganharam destaque.

“Os próprios que tiveram junto com os índios lutando tentaram também de certa forma também tirar os índios da jogada e ficar com a independência só para eles, com o território só para eles”, diz o líder indígena Cícero Tabajara.

Jornal Nacional

 

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