ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:02:20

Estoque de medicamentos utilizados em pacientes intubados só deve durar mais 30 dias no Huse

Da redação, AJN1

Em meio ao aumento diário dos casos de pessoas infectadas pela covid-19 em Sergipe, a falta de medicamentos para intubar pacientes infectados é sentida na rede pública. Na maior unidade de saúde do Estado, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), o estoque de medicamentos utilizados em pacientes nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a exemplo de sedativos e relaxantes musculares para que a ventilação mecânica seja feita de forma adequada, só deve durar por mais 30 dias.

De acordo com o levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), 22 unidades da federação têm estoques zerados para ao menos um medicamento deste tipo. A indústria de medicamentos afirma que tem estoque dos produtos, mas não consegue atender a licitações de longo prazo.

Segundo o governador Belivaldo Chagas, a situação em Sergipe é alarmante e, se passarem 30 dias e o Ministério da Saúde não enviar os medicamentos, é possível que aconteça um colapso. “Há estoque suficiente para 30 dias, mas se em 30 dias não recebermos? A cada dia que passa, um item vai zerando e você vai substituindo. É extremamente preocupante essa falta de medicamentos em todo o Brasil”, diz, em tom de apoquentação.

O presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de Sergipe, Milton Simões, já havia alertado, em 28 de maio, sobre a possibilidade de um futuro desabastecimento desses remédios.

“Alguns remédios utilizados em pacientes de UTI estão acabando. Devido ao grande número de intubações atualmente, talvez o uso em excesso no mundo tenha feito com que esse medicamento chegasse a começar a suprimir no Estado. Recebemos alerta de alguns laboratórios. São substâncias que servem para bloquear o sistema neuromuscular e manter o paciente sedado durante o processo de intubação. Na farmácia do Huse, por enquanto, há abastecimento, mas com risco de desabastecimento futuro se não for reposto o estoque. Fica o alerta”, avisou o anestesiologista à época.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde confirma que alguns medicamentos estão em falta, “mas não comprometeram a assistência aos pacientes da covid-19, pois alguns itens que não estão no estoque podem ser substituídos por outros, sem prejudicar o atendimento ao paciente”.

Ministério da Saúde

No último dia 29 de maio, o Ministério da Saúde anunciou ações para adquirir e fornecer medicamentos que estão em falta para a intubação de pessoas com quadros graves da covid-19. As iniciativas foram divulgadas após hospitais, estados e municípios relatarem ausência de remédios específicos para pacientes em UTI. A Pasta reconhece que houve problema em relação à demanda, mas diz que vai trabalhar para evitar o desabastecimento.

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