ARACAJU/SE, 20 de maio de 2026 , 12:40:08

Estudo desenvolve membranas com potencial para tratamento do câncer de pele

 

O câncer de pele representa um desafio relevante para a saúde pública, atingindo milhões de pessoas em todo o mundo e podendo evoluir para quadros graves, inclusive com risco de morte. Diante desse cenário, cresce a necessidade de desenvolver tratamentos mais eficazes e menos invasivos, especialmente aqueles que atuam diretamente sobre as células tumorais. Com esse foco, a doutoranda Victória Louise Santana, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde da Universidade Tiradentes (PBS-Unit), conduz uma pesquisa voltada à produção de membranas multicamadas com rosa de bengala, com potencial de atuação direta no combate às células cancerígenas.

A relevância da temática possibilitou a ampliação do estudo para o cenário internacional, por meio de um doutorado sanduíche na Irlanda. A oportunidade surgiu a partir de um processo seletivo interno da pós-graduação da Unit, que disponibiliza bolsas para experiências no exterior. Após aprovação, Victória, em conjunto com seu orientador, escolheu a cidade de Dublin para aprofundar a pesquisa. Desde outubro de 2025, ela desenvolve parte do estudo na University College Dublin, onde permanecerá por nove meses, com retorno previsto ao Brasil em junho de 2026.

Nova etapa

Durante o período fora do país, a pesquisadora segue avançando no trabalho iniciado no Brasil, agora com acesso a novos recursos tecnológicos e abordagens metodológicas. “Nesse período em Dublin, estou realizando a caracterização das membranas e conduzindo testes in vitro com células tumorais. Essa etapa integra o meu doutorado, sendo uma continuidade da pesquisa, agora com novas análises, uso de equipamentos diferentes e perspectivas que ampliam o estudo”, afirma.

As técnicas empregadas incluem análises físico-químicas das membranas e ensaios laboratoriais voltados à avaliação de toxicidade e eficácia no combate às células cancerígenas. Esse conjunto de procedimentos permite uma investigação mais aprofundada do potencial terapêutico da proposta.

Na prática, essa fase possibilita compreender o comportamento estrutural e funcional das membranas, avaliando fatores como resistência, estabilidade e interação com o meio biológico. Já os testes in vitro, realizados em ambiente controlado com células tumorais, são essenciais para verificar se o material apresenta efeitos tóxicos indesejados ou se atua de forma eficaz contra o câncer. Esses dados são fundamentais para garantir segurança e embasar a continuidade da pesquisa em etapas mais avançadas.

A vivência acadêmica internacional também tem favorecido a troca de conhecimentos e o aprimoramento técnico. “O contato com professores e pesquisadores têm ampliado meu entendimento sobre metodologias, equipamentos e experimentos. As discussões têm sido muito enriquecedoras e contribuído tanto para a escrita da tese quanto para os experimentos realizados”, destaca.

Resultados iniciais

Até o momento, os resultados obtidos são considerados positivos e indicam avanços relevantes para a continuidade do estudo. “As membranas não apresentaram caráter irritante e mostraram propriedades mecânicas satisfatórias, além de resultados promissores em estudos de farmacocinética e biodistribuição”, afirma Victória.

Com a conclusão do doutorado sanduíche, os próximos passos envolvem finalizar as caracterizações e avançar para testes in vivo, etapa essencial para validar a eficácia do tratamento em organismos vivos. A expectativa, em longo prazo, é dar continuidade ao desenvolvimento até alcançar a fase de testes em humanos.

Além dos resultados científicos, a experiência internacional também fortalece o próprio programa de pós-graduação da Unit. “Essa vivência me permitiu estabelecer conexões com outros pesquisadores, ampliar meus conhecimentos sobre a pesquisa e crescer pessoalmente. Para o programa, contribui para aumentar a visibilidade da Universidade Tiradentes e do PBS, além de atrair novos estudantes e fortalecer parcerias acadêmicas”, conclui.

Caso os avanços se mantenham nas próximas etapas, a proposta pode abrir novas possibilidades para o tratamento do câncer de pele, com abordagens mais direcionadas e potencialmente menos agressivas. Na prática, o uso dessas membranas pode permitir que o composto atue diretamente na área afetada, aumentando a eficácia terapêutica e reduzindo danos a células saudáveis. A expectativa é que, após a validação em testes in vivo e, posteriormente, em estudos com humanos, a tecnologia contribua para o desenvolvimento de tratamentos mais seguros e eficientes, ampliando as alternativas de cuidado para pacientes.

Fonte: Asscom Unit

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