ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:53:43

Levantamento inédito mostra dados sobre população quilombola no Brasil

 

Lançado recentemente, o boletim “Saúde Quilombola no Brasil: Evidências para a Equidade” é um material inédito sobre o tema. Foi desenvolvido através de uma parceria entre o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

De acordo com a Fiocruz, o boletim analisou informações de mais de 140 milhões de pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com foco em cerca de 64 mil quilombolas adultos, que foram acompanhados entre 2011 e 2020. “Pela primeira vez, dados dessa magnitude revelam com clareza como condições de vida adversas e desigualdades estruturais moldam a saúde da população quilombola no país”, diz um comunicado da instituição.

Os quilombos são encontrados em todas as regiões brasileiras e, de acordo com o levantamento, a grande maioria está no Nordeste – 60%. Do total de quilombolas, apenas 12% vivem em territórios oficialmente demarcados.

O boletim traz dados objetivos sobre as dificuldades vividas por essas comunidades. Entre os quilombolas, 55% não têm acesso à água potável, 54% não contam com rede de esgoto, 51% carecem de coleta de lixo, 10% não têm energia elétrica, 29% vivem em moradias com materiais precários e 68% acessam suas casas por estradas de terra.

Além disso, dois em cada dez adultos nunca frequentaram a escola, proporção duas vezes maior que na população geral. O boletim também frisa que, entre os quilombolas, há um grande número de mortes com causas mal definidas.

“Ao reunir, pela primeira vez, um conjunto amplo e robusto de informações sobre a saúde quilombola, este boletim se torna ferramenta estratégica para subsidiar gestores públicos, pesquisadores, lideranças quilombolas e a sociedade civil na construção de políticas mais justas, eficazes e alinhadas às necessidades reais desses territórios”, enfatiza a Fiocruz.

Fonte: GALILEU

 

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