A América Latina tem se mostrado uma região atraente para investimentos no setor de construção devido aos baixos custos de construção. A constatação apareceu no estudo inédito da consultoria Turner & Townsend, o Global Construction Market Intelligence (GCMI) 2025, que compila dados das equipes da empresa, que atua em 99 mercados globais oferecendo consultoria em gestão de projetos e programas.
Com uma média de US$ 1.265 por metro quadrado, Bogotá, capital da Colômbia, é a cidade com os custos de construção mais baixos da América Latina. No Brasil, o Rio de Janeiro apresenta um custo médio de US$ 1.413, o que também o coloca como um dos destinos mais baratos da região.
Esses valores contrastam fortemente com os preços elevados de cidades como Nova York, com US$ 5.744 por metro quadrado, e São Francisco, com US$ 5.504, que lideram o ranking global de custos de construção.
O estudo também destaca que a inflação dos custos de construção tem diminuído na maioria dos mercados latino-americanos, à medida que as taxas de juros se estabilizam. No entanto, a consultoria alerta para a possibilidade de um novo aumento nos preços em alguns países da região, devido à instabilidade política e aos desafios comerciais globais.
Desafios da guerra comercial
As tarifas comerciais estabelecidas pelo governo de Donald Trump afetam diretamente produtos brasileiros exportados, como aço, alumínio e madeira processada — fundamentais para o setor de construção. Contudo, seus impactos indiretos se espalham por toda a América Latina, gerando um clima de incerteza e freando potencialmente a realização de investimentos.
“A redução da competitividade desses produtos no mercado americano pode gerar excedente de oferta local, pressionar preços e impactar a cadeia produtiva. No caso do Brasil, os principais impactos negativos incluem a retração nas exportações e o risco de inflação setorial, enquanto os efeitos positivos podem envolver o fortalecimento da produção local e a reorientação estratégica para novos mercados”, explica Anna Pancini, diretora associada e líder de custos da Turner & Townsend Brasil.
Já em países como Chile e Argentina, a alta demanda por minerais, especialmente lítio e cobre, impulsiona os custos de construção, com valores que podem alcançar até US$ 1.899 por metro quadrado em Santiago.
A expectativa é que a inflação dos custos de construção na região caia de 7,16% em 2024 para 4,16% em 2025, com exceção de mercados como Santiago, onde a volatilidade política pode elevar a inflação para 4%. Já no México, o impacto das tarifas e a dependência de materiais importados devem aumentar a inflação em Monterrey, que passará de 5,0% para 7,0% em 2026.
Minério é a carta na manga
O mercado de construção na América Latina se beneficia de uma indústria de mineração robusta, que fomenta o desenvolvimento de outros setores, como o de mercado imobiliário, ocupação corporativa e transporte.
Esse movimento é especialmente visível no Brasil, onde investimentos em infraestrutura estão sendo direcionados para cidades como Belém, que se prepara para sediar a COP30, e para melhorar a conectividade nas principais áreas urbanas.
No entanto, os investidores ainda enfrentam desafios, especialmente em mercados como o Chile e a Argentina, onde a instabilidade política pode afetar a confiança no futuro próximo.
Sergio Panero, líder regional de mercado imobiliário na América Latina pela Turner & Townsend, enfatiza que, apesar das dificuldades, os fundamentos da região, como custos baixos de construção e uma forte indústria de mineração, continuam a ser fatores decisivos para o interesse de investidores.
Os países mais baratos para construir
| Região
| Ranking (/99 mercados)
| Custo por m² (US$)
| Inflação dos custos de construção em 2024 (%)
| Inflação dos custos de construção em 2025 (%)
| Salário / hora (US$)
|
| Buenos Aires | 66 | 2,400 | 30,0 | 10,0 | 8,0 |
| Monterrey | 70 | 2,199 | 5,0 | 5,0 | 4,0 |
| Cidade do México | 73 | 1,935 | 3,6 | 3,7 | 6,8 |
| Santiago | 75 | 1,899 | 3,0 | 4,0 | 8,6 |
| São Paulo | 77 | 1,454 | 2,6 | 2,8 | 6,4 |
| Rio de Janeiro | 78 | 1,413 | 2,6 | 2,8 | 6,2 |
| Bogotá | 80 | 1,265 | 3,5 | 4,0 | 4,9 |
Os países mais caros para construir
| Região | Ranking (/99 mercados)
| Custo por m² (US$)
| Inflação dos custos de construção em 2024 (%) | Inflação dos custos de construção em 2025 (%) | Salário / hora (US$)
|
| Nova Iorque | 1 | 5,744 | 3,3 | 3,5 | 131,4 |
| São Francisco | 2 | 5,504 | 3,5 | 4,0 | 117,5 |
| Zurique | 3 | 5,386 | 0,7 | 1,0 | 117,9 |
| Genebra | 4 | 5,386 | 0,6 | 1,0 | 117,9 |
| Londres | 5 | 5,385 | 2,0 | 3,0 | 56,8 |
| Los Angeles | 6 | 4,786 | 2,3 | 4,0 | 71,4 |
| Chicago | 7 | 4,695 | 3,5 | 3,5 | 79,5 |
| Tóquio | 8 | 4,647 | 5,8 | 5,6 | 29,1 |
| Filadélfia | 9 | 4,604 | 3,0 | 5,0 | 107,9 |
| Sapporo | 10 | 4,577 | 5,8 | 5,6 | 24,2 |
Fonte: EXAME







