Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira (15), que interromperam completamente o comércio marítimo do Irã, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump sinalizou que a guerra pode terminar de maneira dimoplatica com Teerã nos próximos dias.
Segundo o comando militar americano, o bloqueio naval imposto no início da semana já conseguiu paralisar o fluxo econômico marítimo iraniano, responsável por cerca de 90% da atividade externa do país.
A operação ocorre após o fracasso das negociações no fim de semana, realizadas em Islamabad, e em meio a uma trégua de duas semanas que segue em vigor até 21 de abril.
Apesar da escalada militar, Trump afirmou que há expectativa de avanço diplomático. Em entrevista, o presidente dos EUA disse que novas conversas entre autoridades dos EUA e do Irã podem ocorrer “nos próximos dois dias” e que um acordo é preferível ao prolongamento da guerra.
“Pode terminar de qualquer forma, mas um acordo é melhor porque permite reconstrução”, afirmou o republicano.
O vice-presidente J. D. Vance, que liderou as negociações recentes, afirmou ver progresso, apesar de reconhecer o alto nível de desconfiança entre os dois países.
Bloqueio avança e pressiona fluxo de petróleo
Mesmo com a sinalização de diálogo, a ofensiva militar segue em curso. Navios petroleiros têm sido interceptados ou forçados a mudar de rota, incluindo embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, principal corredor global para transporte de petróleo e gás.
A restrição ao tráfego marítimo já afeta diretamente o mercado internacional. Após semanas de alta, os preços do petróleo recuaram pela segunda sessão consecutiva, com investidores reagindo à possibilidade de retomada das negociações.
O bloqueio reduz a oferta global de petróleo e pode pressionar novamente os preços, especialmente se as sanções americanas forem ampliadas.
O governo dos EUA também avalia não renovar permissões temporárias para compra de petróleo iraniano e russo.
Impasse nuclear segue como principal obstáculo
As negociações esbarram principalmente no programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem a suspensão das atividades por até 20 anos, enquanto o Irã propõe um prazo menor, entre três e cinco anos.
Além disso, Washington pressiona pela retirada de material nuclear enriquecido do território iraniano, enquanto Teerã exige o fim das sanções internacionais.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou que a duração de qualquer acordo será uma decisão política, mas indicou que há espaço para compromisso entre as partes.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já deixou cerca de 5 mil mortos, incluindo vítimas no Irã e no Líbano. Embora os combates tenham diminuído após o cessar-fogo, ataques continuam em áreas como o sul do Líbano, envolvendo forças ligadas ao Hezbollah.
A guerra também já provocou danos à infraestrutura energética e interrompeu cadeias de fornecimento, elevando o risco de uma crise global de energia. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo mundial passava pelo Estreito de Ormuz.
Fonte: Exame





