Uma pesquisa divulgada pelo IBGE este ano apontou aumento de 4,9% no número de divórcios no Brasil. E mais da metade (53,3% dos rompimentos) acontece com casais com filhos menores de idade. A advogada de família Diana Poppe, que trabalha com o tema há mais de 25 anos, lança nesta terça-feira, na livraria Janela do Shopping da Gávea, às 19h, o livro “Acordo de Convivência”, com ilustrações de Luisa Simão. A autora mostra como o menino Pedro, de 8 anos, se sente sozinho em meio aos conflitos dos pais recém-divorciados.
“Nos processos de divórcio que acompanho, sempre recomendo uma atenção especial aos filhos. É muito comum os pais responderem que as crianças estão ótimas. Resolvi fazer o livro pois encontrei neste universo da literatura um caminho para mostrar que as crianças precisam de mais cuidado do que logística. Precisam conviver, não de convivência. E que elas não estão ótimas”.
Um estudo realizado na FioCruz, em 2022, acompanhou crianças de 6 a 10 anos em escolas públicas de São Gonçalo (RJ) e a incidência de sintomas de ansiedade e depressão chegou a 16,5% antes dos 10 anos de idade. O trabalho afirma, ainda, que a violência dentro de casa é um dos principais fatores que prejudicam a saúde mental das crianças. A pesquisa indica que viver em um ambiente de brigas, agressões físicas ou verbais torna-os muito mais vulneráveis a sentimentos de tristeza, medo e insegurança, que podem comprometer o aprendizado e as relações sociais.
A psicanalista e psicomotricista especializada em crianças e adolescentes, Mariana Roncarati, concorda que o momento da separação dos pais é mesmo delicado.
“Esse momento é de potencial sofrimento para a criança. Algumas sofrem mais, outras menos, mas é um sofrimento”.
A especialista diz que a forma como os pais conduzem essa situação faz toda a diferença e dá dicas.
“Para comunicar a criança ou ao adolescente sobre a separação, quando possível, é interessante ter os dois responsáveis juntos, explicando que essa é uma escolha que visa o melhor para cada um e para a criança. Jamais falar mal de um ou do outro, evitar brigar na presença da criança. O principal é deixar claro que não há nenhuma responsabilidade da criança nesta decisão”, explica ela, que vê em seu consultório muitos casos de crianças que, em suas fantasias, se culpam pela separação dos pais. “Elas também se deparam com o medo do rompimento de relações, achando que o pai ou a mãe podem se afastar dela. Por isso, é importante marcar o amor pela criança. Apresentar algum plano de como será a vida dela, onde cada um vai morar, como será a rotina, e garantir que ela terá sempre a presença do pai e da mãe. Para minimizar essas inseguranças, os pais devem demonstrar aos filhos que, mesmo não sendo mais um casal, eles continuam em parceria no processo de cuidado e educação dessa criança”.
Sinais do corpo
A advogada Diana Poppe, autora do livro “Acordo de Convivência”, irá reunir na noite de lançamento, nesta terça às 19h, na Livraria Janela do Shopping da Gávea, as psicólogas Mônica Lobo, especializada em terapia de casal e família, e Glícia Brazil, psicóloga com anos de atuação na Vara da Família do TJ-RJ como entrevistadora forense de crianças e adolescentes, para um bate-papo com o tema “Conseguimos enxergar nossos filhos durante o processo de separação?”
Diana explica que o livro nasce da vontade de abrir um diálogo com as famílias. “Por mais que eu oriente os meus clientes a olharem para os seus filhos durante o período de transformação imposto pelo divórcio, é muito difícil que eles percebam o abandono afetivo que são capazes de promover, mesmo estando por perto. É compreensível não dar conta do outro, quando sequer estão conseguindo dar conta de si mesmos”.
A especialista Mariana Roncarati diz o que é preciso observar para entender quando é hora de pedir ajuda.. “É importante ficar atento aos sinais que o corpo da criança emite: algum tique nervoso, roer unha, mexer muito em uma parte do corpo, agitação corporal, problemas no sono e na alimentação. Há crianças que ao viver a separação dos pais se negam a comer, se mostram desmotivadas e não querem ir para a escola, não socializam. Ou ao contrário: ficam mais raivosas e explosivas”.
Nesses casos, é importante buscar parceiros que ajudem a diminuir o sofrimento da criança. “Em alguns casos, as crianças não falam o que sentem. Até porque elas estão vendo o sofrimento dos pais ou simplesmente não sabem elaborar os próprios sentimentos. Então é importante observar, comunicar a escola sobre a separação, pedir uma parceria nessa observação”.
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Fonte: O Globo






