ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:32:47

Obras na Hermes Fontes têm prejudicado o comércio local

Por Felipe Maceió

A obra de qualificação da avenida Hermes Fontes, na zona sul de Aracaju, completou um semana de iniciada, mas apesar do pouco tempo de trabalho dos homens e máquinas ao longo de um dos mais movimentados corredores de trânsito da capital, as reclamações dos comerciantes são grandes. Segundo eles, os serviços que estão sendo realizados pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), por meio da Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emsurb), e pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), têm prejudicado o movimento e prejuízos já começam a ser contabilizados.

Cerca de 20 estabelecimentos já registraram queda de 60% a 80% no faturamento em dezembro, mês que, segundo os comerciantes, é o mais esperado do ano devido ao grande fluxo de renda gerado, principalmente, pelo pagamento do 13º salário aos trabalhadores.

Quem passa pela avenida Hermes Fontes presencia galhos e troncos de árvores espalhados nas pistas, além dos inúmeros buracos devido ao serviço de instalação de novos canos de água potável pela Deso. Esse, em especial, tem sido o principal alvo das reclamações dos comerciantes, que o apontam como o maior empecilho para acesso dos clientes aos estabelecimentos.

A PMA alega que está trabalhando com o máximo de celeridade nas obras do corredor Hermes Fontes para minimizar os transtornos “temporários” causados na região, e por questão de segurança, devido ao tipo de trabalho executado na obra, não é possível a liberação do trânsito nos trechos onde as equipes estão executando os serviços.

Sobre a queixa dos lojistas quanto a dificuldade dos clientes para acessar os estabelecimentos, a PMA afirma que só após a conclusão do serviço da Deso é que será possível realizar a colocação da nova camada asfáltica na via. Até lá, os comerciantes já preveem perdas acumuladas.

Sem comunicação

A falta de comunicação sobre a execução da obra por parte da prefeitura é outra reclamação dos lojistas. Eles denunciam que a PMA não manteve um diálogo prévio sobre o impacto dos serviços na região, e consequentemente, ao comércio local.

“Infelizmente a prefeitura escolheu a data e a hora errada para fazer essa obra. A gente sonha o ano todo com o mês de dezembro, e quando chega é isso o que acontece, faturamento zero. Ninguém passou em nossa loja para explicar como seria essa obra, o impacto dela, ninguém disse nada. Nós que tivemos que parar tudo”, explica o empresário Roberto Silva.

A informação é contestada pela prefeitura, que garante que comunicou previamente os comerciantes e moradores da avenida Hermes Fontes sobre as mudanças que iriam acontecer na área por conta dos serviços.

A obra

Orçada em R$ 20 milhões, a obra vai do cruzamento entre as avenidas Hermes Fontes e Barão de Maruim até a Praça Joe Fabrício de Farias, no conjunto Orlando Dantas, um trecho de 6,8 km de extensão que promete modernizar o trânsito na região e modificar a mobilidade urbana da cidade.

Esse corredor é o último, dos quatro propostos no Projeto de Mobilidade Urbana da capital – Beira Mar, Augusto Franco e Centro/Jardins – e abrange intervenções que exigem soluções urbanísticas, paisagísticas e de tráfego complexas.

“O corredor Hermes Fontes apresenta características diferentes, a começar pelas vias estreitas, sem possibilidade de ampliação; além das tubulações de mais de 80 anos que passam por ali, de várias concessionárias, como de água, energia e telefonia”, explica o presidente da Emurb, Sérgio Ferrari.

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