ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:26:45

Quem garante o que chega ao prato, especialista faz alerta

 

 

Em um cenário onde falhas na produção de alimentos ganham cada vez mais visibilidade, uma questão começa a preocupar especialistas: o preparo dos profissionais responsáveis por garantir que esses alimentos sejam seguros.

 

No centro desse debate está o veterinário, profissional obrigatório em estabelecimentos que lidam com alimentos de origem animal e responsável técnico por assegurar que os processos estejam dentro dos padrões sanitários exigidos.

 

Mas a discussão vai além da obrigatoriedade: o mercado começa a questionar o nível de preparo desses profissionais diante da complexidade atual do setor.

 

No Brasil, a presença do médico veterinário como responsável técnico não é opcional em diversas operações que envolvem alimentos de origem animal.

 

Isso inclui frigoríficos, laticínios, entrepostos, cozinhas industriais e serviços de alimentação.

 

Na prática, esse profissional responde por processos que, se falharem, podem impactar diretamente milhares de pessoas. “Existe uma falsa percepção de que é uma função burocrática. Não é. É uma função crítica”, explica Paula Eloize.

 

“O responsável técnico é quem garante que o risco não saia da operação e chegue até o consumidor.”

 

Os números mostram a dimensão do problema

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde:

  • 600 milhões de pessoas adoecem todos os anos por doenças transmitidas por alimentos;
  • 1 em cada 10 pessoas no mundo é afetada anualmente;
  • 420 mil mortes são registradas por ano.

Além disso:

  • Crianças menores de 5 anos representam cerca de 40% da carga dessas doenças, mesmo sendo uma parcela menor da população;
  • As doenças transmitidas por alimentos geram impactos econômicos bilionários, incluindo custos com saúde, afastamento do trabalho e perdas na cadeia produtiva.

 

Mesmo assim, há subnotificação.

 

“Muitos casos não entram nas estatísticas porque são tratados como mal estar comum. Isso faz com que o problema pareça menor do que realmente é”, reforça Paula.

 

Formação generalista x realidade do mercado

 

Apesar da responsabilidade envolvida, especialistas apontam que a formação tradicional ainda não acompanha a complexidade da atuação prática.

 

“A graduação é essencial, mas não é suficiente para preparar o profissional para tomada de decisão em cenários reais”, afirma Paula Eloize.

 

Na rotina, o responsável técnico precisa lidar com:

  • auditorias sanitárias
  • gestão de equipe
  • controle de processos
  • análise de risco
  • tomada de decisão sob pressão
  • prevenção de crises

 

“Segurança dos alimentos não é só saber a norma. É saber aplicar, monitorar e corrigir rapidamente.”

 

Um setor mais exigente, e menos tolerante a falhas

 

O setor de alimentos passou por mudanças importantes nos últimos anos:

  • aumento da fiscalização
  • maior rigor regulatório
  • consumidores mais atentos
  • impacto imediato nas redes sociais em caso de falhas

 

Hoje, um erro operacional pode rapidamente se tornar uma crise pública.

E isso mudou o perfil do profissional buscado pelas empresas.

 

“Antes, bastava cumprir a exigência legal. Hoje, as empresas precisam de alguém que sustente o processo e evite prejuízos”, explica Paula.

 

Um movimento silencioso de transformação

 

Diante desse cenário, cresce no Brasil a busca por especialização na área.

 

O Food Smart tem sido um dos grupos que acompanham, e impulsionam, esse movimento, atuando na formação prática de profissionais voltados à responsabilidade técnica e consultoria.

 

Segundo a especialista, existe uma mudança clara no perfil dos veterinários:

 

“Cada vez mais profissionais estão saindo da clínica, muitas vezes sobrecarregados, para atuar na cadeia de alimentos, que oferece novas possibilidades de carreira, mas exige preparo específico.”

 

Quando o preparo não acompanha, o risco aumenta

 

A combinação entre alta responsabilidade, formação insuficiente e aumento das exigências cria um ponto de atenção para o setor.

 

Isso porque as falhas na operação não ficam restritas ao ambiente interno.

 

Elas chegam ao consumidor.

 

E, em muitos casos, poderiam ser evitadas.

 

“Grande parte dos problemas que vemos hoje não são acidentes inevitáveis. São falhas de processo”, afirma Paula.

 

Mais do que carreira, uma responsabilidade coletiva

 

Garantir a qualidade dos alimentos não é apenas uma questão técnica, é uma questão de saúde pública.

 

E exige profissionais preparados para assumir esse papel com segurança.

 

“Não existe margem para improviso quando falamos de alimentos. Existe controle. Ou falta dele”, finaliza Paula Eloize.

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