MEIO AMBIENTE - 07/06/2019 - 17:50

Rio São Francisco é responsável por 99,8% do potencial hídrico em SE

Foto: ANA

Da redação, Joangelo Custódio 

Há mais de 500 anos, o rio São Francisco, conhecido carinhosamente como “Velho Chico”, é fonte de vida e riqueza, além, deveras, de ser importante para o País não apenas pelo volume de água [hoje a vazão média é de 2.850 m3/s] transportado em uma região semiárida, mas, também por sua contribuição histórica e econômica para a região.

No último dia 5 de junho, foi celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, e a relevância do São Francisco foi colocada novamente em pauta pelos valentes ambientalistas, não por acaso. Em Sergipe, o superintendente especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, engenheiro agrônomo Aílton Rocha, discursou no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) — diante de um público sedento por soluções que cuidem do planeta em que vivemos — e foi categórico ao afirmar que, sem o rio São Francisco, Sergipe pode ter um colapso hídrico de magnitude jamais vista por estas bandas.

Isso porque o rio São Francisco é responsável por 99, 8% do potencial hídrico no estado de Sergipe. Isto é, se um dia o Velho Chico sair do “coma” e vier a morrer, um colapso hídrico poderá se instaurar, causando um cenário de caos.

Aílton Rocha | Foto: AJN1

“O rio São Francisco está agonizando, não só em decorrências de possíveis contaminações de mineradoras, mas do desmatamento, da poluição de afluentes domésticos e industriais. As demais bacias hidrográficas que compõem o nosso estado são deficitários, então, a demanda é maior do que a oferta. Na verdade, o grande garantidor de águas para o estado é o São Francisco. Tanto que Sergipe conseguiu numa decisão muito acertada, implantar uma malha de mais de 4 mil quilômetros de adutora, socializando a água do rio São Francisco para outras regiões do estado, inclusive Aracaju e grande Aracaju, com 65% abastecida por esse rio”, afirma Aílton.

Aílton Rocha foi enfático ao afirmar que o rio é indispensável para o desenvolvimento. “Não só para o desenvolvimento humano, mas também para a indústria e para a irrigação. Eu tenho dito que o rio São Francisco está para Sergipe, como o mar da Galileia está para Israel, devido a sua relevância. A gente precisa, mais do que nunca, preservá-lo para ter essa garantia hídrica sem maiores sobressaltos, inclusive, com relação à qualidade das suas águas”, diz, parabenizando a deputada Maria Mendonça por trazer um tema tão relevante à Alese.

Vontade Política

Crítico, Ailton Rocha informou que existem vários estudos com o objetivo de recuperar o rio, mas no seu entendimento, os políticos brasileiros precisam se unir para colocar essa pauta como prioridade. “Está faltando vontade política para resolver os problemas que o afligem, pois mais do que nunca o rio São Francisco clama por sua revitalização”.

Rio São Francisco

O Velho Chico nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e passa por outros quatro estados (Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas), totalizando 500 cidades ribeirinhas ao longo do seu percurso caudaloso. E quase todas as cidades despejam esgoto “in natura” e lixo dentro do rio, o mesmo rio em que se busca água para consumo humano.

Segundo o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), as matas ciliares do rio estão degradadas e mais de 50% já não existem mais, provocando o assoreamento.

Atualmente, oito espécies de peixes estão em extinção na bacia e, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as hidrelétricas e o controle das vazões são as grandes ameaças para a sobrevivência desses peixes. Além disso, há o uso da água de forma irracional.