ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:58:57

Rombo estimado em mais de R$ 8 bilhões atinge banco ligado ao bispo Edir Macedo

 

O Digimais, banco ligado a Edir Macedo, atravessa o momento mais delicado de sua história e já virou fonte de preocupação no sistema financeiro. Com um rombo estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões e patrimônio líquido negativo, a instituição passou a concentrar dúvidas sobre a real qualidade de seus ativos, sua capacidade de reação e os desdobramentos de uma crise que pode ir além do próprio banco.

O caso ganhou outra dimensão porque não envolve apenas um problema interno de balanço. Nos bastidores do mercado, o avanço da deterioração do Digimais reacende o alerta sobre a exposição de investidores, a força do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o custo de uma eventual solução para evitar um colapso mais desordenado.

Rombo de R$ 8,5 bilhões expõe fragilidade do Digimais

O número que mais chama atenção é o tamanho do buraco. A instituição acumula um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões, acompanhado de patrimônio líquido negativo, um dos sinais mais graves de deterioração financeira em uma operação bancária.

Esse quadro indica que o banco já não sofre apenas pressão conjuntural. O problema, agora, parece estrutural. Quando o patrimônio fica no vermelho, o mercado passa a olhar não só para a capacidade de recuperação, mas para a própria viabilidade da instituição.

Ativos sob suspeita ampliam tensão

Outro ponto que elevou o tom da crise foi a preocupação com a qualidade dos ativos carregados pelo banco. Há dúvidas sobre registros difíceis de comprovar e sobre a possível superavaliação de parte desses ativos, o que pode ter distorcido por anos a fotografia real da instituição.

Esse tipo de suspeita pesa ainda mais no setor bancário porque mexe com o núcleo da confiança. Se o mercado não consegue enxergar com clareza o valor real dos ativos, a leitura sobre solvência, liquidez e risco piora rapidamente.

Captação agressiva em CDB virou novo sinal de alerta

A estratégia de captação também entrou no radar. O Digimais passou a oferecer CDBs com rentabilidade acima da média do mercado, movimento que, em geral, costuma aparecer quando uma instituição precisa atrair recursos com urgência.

Esse comportamento é conhecido no mercado como um sinal clássico de estresse. Em cenários de liquidez pressionada, bancos menores tendem a elevar o prêmio pago ao investidor para continuar trazendo dinheiro novo para dentro de casa.

Na prática, a taxa mais alta pode até parecer atrativa num primeiro olhar. No entanto, ela também costuma acender um alerta sobre o risco embutido no emissor.

Banco Central e FGC acompanham o caso de perto

Diante da deterioração, o caso já entrou no radar das autoridades. O Banco Central e o FGC acompanham a situação de perto, em meio a preocupações sobre o tamanho do problema e sobre os caminhos disponíveis para impedir uma piora ainda maior.

A tensão em torno do FGC cresce porque o fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, em aplicações elegíveis. Por isso, qualquer crise mais profunda em um banco com captação relevante pode acabar gerando um efeito mais amplo sobre o sistema.

É justamente esse encadeamento que começou a preocupar o mercado. O foco já não está só no Digimais, mas também no impacto potencial de uma solução custosa.

Venda do banco ganha força como saída

Com a situação pressionada, aumenta nos bastidores a possibilidade de venda do Digimais como forma de evitar uma liquidação. Essa saída passou a ser vista como uma das poucas alternativas capazes de conter o desgaste e reduzir o risco de um desfecho mais traumático.

Ao mesmo tempo, o Banco Central já teria exigido reforço de capital e mudanças na gestão. Esse tipo de movimento mostra que a crise deixou de ser apenas uma preocupação lateral e passou a exigir reação mais concreta.

Mesmo assim, o futuro da instituição continua cercado de incerteza. As tentativas de reestruturação feitas até aqui ainda não foram suficientes para dissipar a desconfiança.

Fonte: BP Money

 

 

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