Da redação, AJN1
O estado de Sergipe apresentou intensificação na situação de seca grave no território do semiárido no último mês de outubro, em comparação ao mês de setembro. É o que revela relatório divulgado nesta sexta-feira (10), pelo Monitor de Secas – instrumento de acompanhamento regular e periódico da condição da seca no Nordeste, coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA).
Conforme a análise, as áreas com seca grave avançaram de 32% para 36% do estado e as porções com seca moderada subiram de 15% para 19% do território sergipano. Os demais 46% do território do estado registraram seca fraca.
Essa é a condição mais severa do fenômeno em Sergipe desde maio de 2019, quando 38% do estado passaram por seca grave. Há 13 meses consecutivos, desde outubro de 2020, Sergipe registra seca em 100% do seu território.
Situação de emergência
A Defesa Civil do Estado reconheceu situação de calamidade hídrica em 14 municípios, totalizando 66.726 pessoas afetadas. Os decretos por escassez de água foram requeridos pelos gestores de Monte Alegre de Sergipe, Tobias Barreto, Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Carira, Nossa Senhora da Glória, Poço Verde, Nossa Senhora Aparecida, Gararu, Frei Paulo, Graccho Cardoso, São Miguel do Aleixo, Porto da Folha e Pinhão.
Com o reconhecimento federal de situação de emergência, os municípios atingidos por desastres naturais podem solicitar recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para atendimento à população afetada, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de equipamentos de infraestrutura danificados pelo desastre.
A solicitação deve ser feita por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Com base nas informações enviadas, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e os valores solicitados. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com a especificação do montante a ser liberado.
Níveis de seca no Estado
A progressão das secas foi classificada pela ANA em seis categorias: “sem seca relativa”, que no mapa aparece em branco; “seca fraca”, em amarelo-claro; “seca moderada”, de cor bege; “seca grave”, em laranja; “seca extrema”, em vermelho, e seca excepcional, em cor vinho.
Conforme esta classificação, Sergipe está dividido em três níveis de estiagem: o Litoral apresenta seca fraca; parte do Agreste, seca moderada; e o Alto Sertão, seca grave.
Regiões do país
Considerando as quatro regiões acompanhadas pelo Monitor de Secas, o Nordeste teve a melhor condição em termos de severidade do fenômeno em setembro, já que foi a única a não ter registro de seca extrema ou excepcional – as duas mais severas identificadas pelo Monitor. Além disso, o Nordeste teve o maior percentual de território livre de seca: 11%. O Sul teve a segunda menor severidade do fenômeno no período, com 3% de seca extrema. As condições mais severas foram registradas no Sudeste e no Centro-Oeste, que tiveram respectivamente 8% e 1% de áreas com seca excepcional – a mais severa.
Em outubro deste ano, em comparação a setembro, em termos de severidade da seca, 11 estados tiveram um abrandamento do fenômeno em outubro: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Entre setembro e outubro, todas as 21 unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor de Secas registraram o fenômeno simultaneamente.
No sentido oposto, sete estados tiveram uma intensificação da seca no período: Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em outras três unidades da Federação, a severidade do fenômeno se manteve estável: Ceará, Distrito Federal e Maranhão. Considerando as quatro regiões integralmente acompanhadas pelo Monitor de Secas, a maior severidade observada em outubro aconteceu no Sudeste, que registrou 8% de seca excepcional – a mais severa da escala do Monitor. Já o Nordeste teve a menor severidade de outubro e foi a única região a não ter registro de seca extrema ou seca excepcional.
Entre setembro e outubro, somente Alagoas registrou expansão da área com seca. Por outro lado, a área com o fenômeno diminuiu em outros cinco estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Nas demais 15 unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor, não houve variação do território com seca: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Considerando o recorte por região, o Sudeste e o Sul tiveram uma redução da área com seca de 99% para 96%. Já no Centro-Oeste e Nordeste o território com o fenômeno se manteve estável respectivamente nos patamares de 93% e 89%.
Em 11 unidades da Federação, 100% de seus territórios registraram seca em outubro: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Os demais dez estados acompanhados pelo Monitor apresentam entre 53,9% e 98,7% de suas áreas com o fenômeno, sendo que para percentuais acima de 99% considera-se a totalidade dos territórios com seca.






