ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:03:54

Sindimed põe em dúvida se Governo terá contingente médico para cobrir escala de UTI

Da redação, Joangelo Custódio

Nos últimos dias, o Governo de Sergipe anunciou a abertura de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para tratamento de pacientes diagnosticados com a Covid-19. Com isso, o menor estado da federação iniciou a semana com 36 novos leitos, totalizando 198, sendo que até esta quarta-feira (3), a taxa de ocupação pública era 56,7%, um percentual ainda perigoso.

A expectativa governista é atingir 222 leitos até o dia 15 de junho. Mas a projeção, comemorada pelo governador Belivaldo Chagas (PSD) deixou o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed) com um pé atrás, colocando em dúvida se o Estado terá mesmo contingente médico suficiente para cobrir a escala nos novos leitos de UTI.

Mostrando-se apreensivo, o presidente do Sindimed, João Augusto, em entrevista exclusiva ao portal AJN1, afirma que há chances reais de haver déficit de profissionais na maioria desses novos leitos. Segundo ele, já há falta de escala médica nos hospitais regionais de Nossa Senhora da Glória e Estância, além do hospital particular Renascença, unidades as quais já operam com a oferta de ampliação de leitos promovidos pelo Estado. Sobre a falta de escala, João disse que vai acionar o Conselho Regional de Medicina, além de enviar um Ofício aos hospitais, solicitando os dias e os horários de plantões.

Presidente do Sindicato dos Médicos, João Augusto de Oliveira | Foto: Sérgio Silva

“O que nós estamos observando é que os governantes estão anunciando alguns equipamentos, mas sem anunciar a equipe completa. Vemos, em grupos médicos, que os hospitais de Glória, Estância e Renascença ainda não fecharam as escalas. A realidade, até ontem (2), é que nesses três locais não havia escala médica. Estamos fazendo um ofício para o Conselho Regional de Medicina porque as escalas têm de ser protocoladas lá e vamos também fazer ofício para os próprios hospitais solicitando essas escalas, para sabermos se realmente há recursos humanos nesses leitos de UTI, principalmente nos que estão abertos e depois nesses novos que vão abrir”, avisa o presidente.

Desvalorização

João endossa o seu argumento ao afirmar que os médicos já não querem trabalhar no serviço público estadual porque não há valorização. “O Governo já não atraía os médicos para o serviço público antes da crise, não dava os direitos e não pagava bem e, nessa crise, o Governo não está oferecendo nada, ou seja, os mesmos salários de antes da crise. Ninguém vai sair de seus empregos para ser temporário e sem direitos trabalhistas e com salário abaixo da realidade. Não garantem as condições de trabalho, não oferecem um salário diferente Os médicos ficam com medo de não oferecerem as condições que os pacientes requerem. Essa é a realidade”, critica o presidente do Sindimed.

O que diz o Governo

Procurada, a Superintendência de Comunicação do Governo informou que: “A Secretária de Estado da Saúde não tem conhecimento de problemas relativos a escalas de profissionais de saúde nos leitos que foram abertos e já estão funcionando. Quanto aos futuros leitos, as escalas serão organizadas em tempo hábil, pois, os profissionais de saúde são parte integrante dos leitos”.

Boletim

Até o momento, Sergipe tem 7.555 pessoas infectadas e 172 óbitos. São 2.999 pessoas curadas. Foram realizados 20.712 exames e 13.284 foram negativados. Estão internados 367 pacientes, sendo 137 em leitos de UTI (68 na rede pública e 69 na rede privada) e 230 em leitos clínicos (145 na rede pública e 85 na rede privada). São investigados mais 32 óbitos.

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