A taxa de desocupação no mercado de trabalho brasileiro caiu para 9,3% no trimestre entre abril e junho, segundo divulgado nesta sexta-feira (29), na Pnad Contínua, do IBGE.
O resultado representa um recuo ante os 11,1% do trimestre anterior, de janeiro a março.
A taxa também é a menor desocupação para um trimestre encerrado em junho desde o mesmo trimestre em 2015 (quando o desemprego era de 8,4%).
O número do trimestre veio em linha com o consenso do mercado, que projetava desemprego em 9,4%.
“A retração da taxa de desocupação no segundo trimestre segue movimento já observado em outros anos. Em 2022, contudo, a queda mais acentuada dessa taxa foi provocada pelo avanço significativo da população ocupada em relação ao primeiro trimestre”, disse em nota divulgada pelo IBGE a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto, Adriana Beringuy.
Se destacaram no saldo positivo de vagas atividades como serviço doméstico, comércio e educação, com a retomada das aulas presenciais.
Assim como a taxa de desemprego, outras informações sobre a massa de trabalhadores do Brasil também melhoraram.
O contingente de pessoas ocupadas ficou em 98,3 milhões, o mais alto (em valores absolutos) da série histórica iniciada em 2012. O número aumentou em 3,1% frente ao trimestre anterior (3 milhões de novas pessoas no mercado de trabalho) e quase 10% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Com isso, o nível de ocupação também chegou a 56,8%, o melhor para um trimestre encerrado em junho desde 2015.
A população desalentada, que não está empregada mas desistiu de procurar trabalho (e por isso não entra na contagem oficial de desempregados), caiu para 4,3 milhões, queda de 7,1% em relação ao trimestre anterior.
A taxa composta de subutilização ficou em 21,2%, a menor desde 2016 (20,9%), caindo 2,0 p.p. no trimestre e 7,3 p.p. no ano.
Informalidade
A recuperação de vagas aconteceu em todos os setores, mas com retomada forte do setor informal e trabalhadores sem carteira assinada, que haviam tido variação brusca nos piores momentos da pandemia. A divisão por categoria de trabalho no trimestre foi:
- Empregados com carteira assinada no setor privado (sem incluir trabalhadores domésticos): 35,8 milhões (alta trimestral de 2,6% e anual de 11,5%);
- Empregados sem carteira assinada no setor privado: 13,0 milhões (alta trimestral de 6,8% e anual de 23%);
- Trabalhadores por conta própria: 25,7 milhões (alta trimestral de 1,7% e anual de 4,3%);
Trabalhadores domésticos: 5,9 milhões de pessoas (alta trimestral de 4,4% e anual de 19,4%); - Empregados no setor público: 11,9 milhões (alta trimestral de 5,4% e anual de 3,5%).
A taxa de informalidade ficou em 40% da população ocupada, estável em relação ao ano passado.
O número de trabalhadores informais chegou a 39,3 milhões de pessoas, também o maior da série histórica desse indicador (que foi iniciada somente em 2016).
Renda real segue baixa
A estimativa para o rendimento médio real habitual ficou em R$2.652, estável em relação ao primeiro trimestre.
Em relação ao mesmo trimestre de 2021, a queda no rendimento real é de 5,1%.
A renda segue sendo um dos desafios na recuperação no mercado de trabalho: com o desemprego ainda alto, os salários não recuperaram o patamar pré-pandemia. A inflação também tem corroído a renda real, quando descontado o aumento de preços.
Já a massa de rendimento aumentou 4,8% em relação ao ano passado, chegando a R$255,7 bilhões, devido ao aumento da população ocupada.
“Embora não haja aumento no rendimento médio dos trabalhadores, houve crescimento da massa de rendimento porque o número de pessoas trabalhando é bastante elevado”, disse Beringuy, do IBGE, em nota.
Embora venha se recuperando após o pior momento de renda média no fim do ano passado, o rendimento real segue sendo o menor da série histórica, iniciada em 2012 e já descontada a inflação.
Áreas com novas vagas
Entre as áreas com maior criação de vagas, o setor de serviços, tanto no mercado formal quanto informal, novamente se destacou, como já vinha ocorrendo em trimestres anteriores.
A educação – com a retomada das aulas presenciais e contratação de profissionais para a função – também foi um destaque.
Em relação ao trimestre anterior, houve aumento no saldo de vagas nas seguintes atividades:
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (4,5%, ou mais 739 mil pessoas);
- Serviços domésticos (4,0%, ou mais 227 mil pessoas);
- Construção (3,8%, ou mais 274 mil pessoas);
- Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (3,4%, ou mais 617 mil pessoas);
- Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (3,0%, ou mais 336 mil pessoas);
- Indústria Geral (2,7%, ou mais 332 mil pessoas);
- Outros serviços (3,2%, ou mais 158 mil pessoas).
Fonte: Exame







