O Banco Central do Brasil divulgou o Relatório de Economia Bancária do ano de 2022, que segundo a autoridade monetária do país, trata de um amplo espectro de questões atinentes ao Sistema Financeiro Nacional (SFN) e às relações entre instituições e seus clientes.
O relatório é constituído por sete capítulos, conforme a organização do Banco Central, a saber: No Capítulo 1, analisa-se a evolução do crédito no SFN, sob diferentes aspectos, e apresentam-se os resultados da Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) e as projeções para o mercado de crédito. No Capítulo 2, examinam-se a composição e a evolução das captações do sistema financeiro. No Capítulo 3, apresenta-se a decomposição do Indicador de Custo do Crédito (ICC) e do seu spread em termos de seus fatores determinantes: custo de captação, inadimplência, despesas administrativas, tributos e Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e margem financeira do ICC. No Capítulo 4, trata-se dos produtos cambiais oferecidos pelo SFN. No Capítulo 5, analisam-se a rentabilidade das instituições financeiras e os seus principais fatores. No Capítulo 6, examina-se a evolução de indicadores de concentração e de concorrência no SFN, as inovações no setor e a atuação do Banco Central do Brasil (BC). No Capítulo 7, divulgam-se as ações realizadas no contexto da Agenda BC#. Além disso, o relatório traz um conjunto de boxes voltados a temas específicos do Sistema Financeiro Nacional.
Conforme os dados apresentados no Relatório de Economia Bancária – 2022, a carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) encerrou 2022 com forte crescimento pelo terceiro ano consecutivo. O saldo total dos empréstimos e financiamentos do SFN cresceu 14,0% no ano, alcançando R$5,3 trilhões. A razão crédito/Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1,2 p.p. no ano, atingindo 53,8% em dezembro. A dinâmica do crédito teve características distintas em cada semestre.
Mesmo com este avanço da razão crédito/Produto Interno Bruto (PIB), entendo que ainda existe boa margem para o crescimento da relação entre o PIB e o crédito no Brasil, pois em países de economias avançadas, a relação entre crédito e PIB é acima de 100%.
No relatório do Banco Central do Brasil apresenta-se um estoque de crédito ao final de 2022, com a seguinte distribuição: crédito às pessoas físicas registrou crescimento de 17,7%, variação de 17,4% na modalidade de crédito livre (sendo o destaque o crédito consignado) e variação de 18% no crédito direcionado (sendo os destaques o crédito rural e os financiamentos imobiliários); no crédito para pessoas jurídicas, observou-se uma variação de 9,0%, com variação de 10,1% no crédito livre (com destaque para as modalidades de capital de giro, desconto de duplicatas e recebíveis e financiamento de veículos), para o crédito direcionado a variação foi de 6,9%.
De acordo com o Relatório de Economia Bancária de 2022, a elevação da taxa Selic foi transmitida para os juros cobrados nas operações de crédito contratadas em 2022. E esta talvez seja uma barreira para um maior avanço do crédito em nosso país, além de outras questões como inclusão financeira e educação financeira.
O relatório aponta que a taxa média de juros dos novos contratos de crédito aumentou 5,5 p.p. ao longo do ano, atingindo 30,1% a.a. em dezembro. No crédito livre, a taxa média de juros encerrou o ano em 41,7% a.a., com aumento de 7,9 p.p. no período.
Nas contratações das pessoas físicas, a taxa média das modalidades com recursos livres atingiu 55,4% a.a. em dezembro, com aumento de 10,4 p.p.em doze meses. O destaque nesse segmento, foi o aumento acima da média nos juros cobrados na modalidade cartão de crédito rotativo (60,3 p.p.), evidenciando o peso da inadimplência na composição do custo da modalidade.
Nas contratações com pessoas jurídicas, a taxa livre alcançou 23,1% a.a. em dezembro, representando aumento de 3,4 p.p. no ano. A taxa na linha de cheque especial para as empresas, que não tem limite de taxa máxima como na linha voltada para as pessoas físicas, foi a que registrou o maior aumento no ano (22,4 p.p.).
Se de um lado a taxa de juro evidenciou elevação em 2022, do outro lado, como correlação direta, houve aumento na inadimplência do crédito concedido pelo Sistema Financeiro Nacional, principalmente no segmento de recursos livres.
No Relatório de Economia Bancária de 2022, verificou-se que o índice de inadimplência nos empréstimos às famílias com recursos livres cresceu de forma mais acentuada no primeiro semestre, principalmente nas modalidades cartão de crédito rotativo e crédito pessoal não consignado. No segmento de pessoas jurídicas com recursos livres, verificou-se piora nos atrasos superiores a 90 dias no quarto trimestre, especialmente na modalidade capital de giro. Isto resultou em uma taxa de inadimplência do crédito bancário que aumentou 0,7 p.p. no ano, alcançando 3,0% em dezembro. Também ocorreu aumento da inadimplência da carteira de crédito às pessoas jurídicas que subiu 0,4 p.p., para 1,7%, com acréscimo de 0,6 p.p. no crédito livre e estabilidade no direcionado, enquanto a do crédito às pessoas físicas cresceu 0,9 p.p., atingindo 3,9%, com variação de 1,5 p.p. nas modalidades livres e também estabilidade nas direcionadas.
Abordando um pouco sobre os resultados em Sergipe, registre-se que a densidade do crédito para pessoa física foi de R$ 10,2 mil, sendo a segunda maior densidade da Região Nordeste, atrás apenas da Paraíba que apresentou uma densidade de R$ 10,5 mil e igual à densidade do Rio Grande do Norte. Sergipe tem a 2ª menor taxa de inadimplência das operações de crédito para pessoa física na Região Nordeste, 4,5%; o menor percentual de inadimplência do Nordeste ficou com o Maranhão 4,3%.
As informações repassadas acima e coletadas do Relatório de Economia Bancário do Banco Central do Brasil – 2022 revelam um cenário ascendente para a Economia Bancária que possui um bom espaço de evolução e pode efetivamente contribuir para a melhoria de patamares de desenvolvimento do Brasil.
