Desde o ano de 2019 que o Banco de Compensações Internacionais (BIS), Banco que coordena os Bancos Centrais ao redor do mundo, sinalizava que estava em andamento em vários países, através de seus Bancos Centrais, a emissão de moedas digitais.
Em termos simples, uma moeda digital do Banco Central – Central Banking Digital Currency (CBDC) seria uma cédula digital. Ela pode ser usada por indivíduos para pagar empresas, lojas ou uns aos outros (um “CBDC de varejo”) ou entre instituições financeiras para liquidar negociações nos mercados financeiros (um “CBDC de atacado”).
De acordo com o BIS, o interesse na CBDC cresceu em resposta às mudanças nos pagamentos, finanças e tecnologia, bem como à interrupção causada pelo Covid-19. Uma pesquisa do BIS de 2021 com bancos centrais descobriu que 86% estavam pesquisando ativamente o potencial de CBDCs, 60% estavam experimentando a tecnologia e 14% estavam implantando projetos piloto.
Os Bancos Centrais estavam explorando se o CBDC poderia ajudá-los a atingir seus objetivos de bem público, como salvaguardar a confiança pública no dinheiro, manter a estabilidade de preços e garantir sistemas e infraestrutura de pagamentos seguros e resilientes.
Se bem-sucedidas, as CBDCs podem garantir que, à medida que as economias se tornem digitais, o público em geral deverá manter o acesso à forma mais segura de dinheiro – uma reivindicação clássica de um Banco Central. Isso poderá promover a diversidade nas opções de pagamento, tornar os pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, aumentar a inclusão financeira e possivelmente facilitar as transferências fiscais em tempos de crise econômica.
E diante deste cenário de avanço pelo mundo das Moedas Digitais, via os banco Centrais, ocorrerá de 8 a 9 de novembro de 2023, no Centro de Inovação do BIS, a primeira conferência sobre Segurança Cibernética para Moedas Digitais do Banco Central (CBDCs).
Um evento do tipo é necessário neste momento em que os bancos centrais exploram as possibilidades de emitir CBDCs, portanto, a segurança cibernética está surgindo como uma preocupação primordial.
Registre-se que na visão do BIS, o ecossistema CBDC adiciona novas superfícies de ataque e riscos a um cenário de segurança cibernética já complexo para bancos centrais. Portanto, na visão da entidade internacional, a capacidade de gerenciar esses riscos de forma eficaz é um fator chave para garantir a robustez, resiliência e adoção de sistemas CBDC. Pela primeira vez, o BIS está sediando uma conferência sobre como proteger o CBDC e fortalecer as defesas cibernéticas para fornecer uma plataforma única para bancos centrais, setor público, setor privado e academia para compartilhar suas descobertas de pesquisas e experiências do mundo real, para trocar as melhores práticas e construir uma comunidade mais forte para um futuro sistema monetário seguro e resiliente.
Os antecedentes expostos são para referenciar a abordagem que faremos sobre a moeda digital do Brasil, o Drex, projeto em implementação em vários países do mundo.
O Banco Central do Brasil tem feito um valoroso esforço de explicar a funcionalidade da moeda digital da instituição, através de diversas formas, na perspectiva de educação financeira que a autoridade monetária do nosso país tem se dedicado.
Conforme apresentado pelo Banco Central do Brasil, o Drex é uma nova representação da nossa moeda, o real, sendo que referida representação será feita em uma plataforma com tecnologias que permitem a prestação de serviços financeiros de forma eficiente e democrática.
A perspectiva do Banco Central do Brasil é a de que o Drex venha ter o mesmo impacto que teve o Pix no cotidiano do brasileiro. De acordo com o Banco Central do Brasil, o Drex vai trazer mais rapidez, praticidade e menor custo para várias transações contratuais e financeiras que são realizadas atualmente.
A intenção do Banco Central do Brasil é simplificar a linguagem e torná-la acessível para o público em geral, viabilizando a rápida e fácil adaptação quando do efetivo funcionamento da moeda digital do Brasil.
Ressalte-se que o conceito visual do Drex, está contido na agenda de modernização desenvolvida pelo Banco Central, a Agenda BC≠, que insere a transformação digital no processo de modernização do sistema financeiro nacional.
Nesta lógica, a expectativa é a de que a mesma aceitação e uso que ocorreu com o Pix, aconteça com o Drex, tornando-o popular no cotidiano das pessoas.
Algo que é fundamental e nosso papel de economista é premissa passar para a sociedade, a questão da relação com o dinheiro, a medida que o físico vai saindo de cena, a nossa atenção e cuidado deve ser ampliada e analisada frequentemente, para que seja possível fazer escolhas conscientes, com reflexões sobre as necessidades e desejos, dentro do que é possível e real.
Eu imagino que o Drex, assim como ocorreu com o Pix, ampliará a consciência da população para o consumo consciente. Dessa forma, teremos vantagens ambientais e benefícios sociais e econômicos para os brasileiros.
