ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:37:33

A Importância da Bioeconomia

O tema da abordagem deste ensaio tem capítulo especial nas ações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Bioeconomia. A perspectiva é da construção de um mundo melhor gerindo os nossos recursos biológicos de uma forma mais inteligente.

Para a FAO, podemos utilizar a bioeconomia para aumentar a segurança alimentar, apoiar as economias locais e o desenvolvimento rural, combater a pobreza, combater as alterações climáticas e a perda de biodiversidade, eliminar o desperdício e a poluição e impulsionar a inovação.

Porém entendo que o tema ainda é pouco discutido no Brasil, mas acredito em uma guinada de evidenciação dos benefícios da utilização da bioeconomia. Neste sentido, destaco o papel da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) que é uma organização civil, sem fins lucrativos e que acredita que o Brasil pode ser uma potência líder da bioeconomia avançada global. A entidade representa empresas e instituições de diversos setores da economia que investem em tecnologias inovadoras, baseadas em recursos biológicos e renováveis para criar produtos, processos ou modelos de negócios gerando benefícios sociais e ambientais coletivos.

Citando um exemplo brasileiro de atuação em bioeconomia, destaco a Embrapa Agroenergia que é uma das 43 unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e que atua para promover a competitividade da bioeconomia brasileira. Conforme a entidade, o modelo de negócios de sua atuação é focado na geração de ativos pré-tecnológicos e tecnológicos para inserção no mercado de inovação. Recomendo que as empresas brasileiras que pretendem desenvolver a bioeconomia acessem as informações da Embrapa Agroenergia.

Registro que a Embrapa Agroenergia realizou o seu VII Encontro de Pesquisa e Inovação nos dias 24, 25 e 26 de outubro de 2023, no auditório da Embrapa Sede, localizada em Brasília, DF. De acordo com a instituição, ocorreu uma ampla troca de conhecimentos, experiências e insights, enriquecendo as discussões e contribuindo para o avanço das soluções relacionadas à bioeconomia, descarbonização e circularidade da economia.

Além do papel da Embrapa Agroenergia na temática da bioeconomia, destaco a existência de uma Secretaria Nacional de Bioeconomia, que faz parte da estrutura do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do nosso país. Entre as competências da referida Secretaria temos: propor políticas, estratégias, programas e ações destinados ao desenvolvimento da bioeconomia;  elaborar, monitorar, avaliar e coordenar a execução do plano nacional de desenvolvimento da bioeconomia; promover a articulação de iniciativas destinadas ao aproveitamento dos ativos ambientais, inclusive os produtos da sociobiodiversidade, junto aos setores público, empresarial e da sociedade civil; propor a adoção de soluções sustentáveis destinadas à valorização dos serviços ecossistêmicos nos processos econômicos e produtivos; propor políticas, normas e estratégias associadas ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e para a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes de seu uso; supervisionar a gestão do Programa Nacional de Repartição de Benefícios, instituído pela Lei n. 13.123, de 20 de maio de 2015; propor e avaliar políticas, normas, iniciativas e definir estratégias para a implementação de programas e projetos relativos à conservação, ao uso sustentável e à gestão compartilhada dos recursos pesqueiros; etc.

Em nível de Brasil existe estrutura Governamental para cuidar do desenvolvimento, divulgação e implementação da bioeconomia no país e assim ficarmos em sintonia com as orientações da FAO sobre o tema, bem como o cumprimento do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) -12 que trata do tema (consumo e produção responsáveis).

A FAO destaca que a grande vantagem dos recursos biológicos é que eles são renováveis. Se cuidarmos deles, eles continuarão a cuidar de nós. Isso se chama sustentabilidade.

Na lógica da sustentabilidade a minimização do desperdício de recursos é fundamental e existem diversos exemplos a serem seguidos, como o uso de restos de recursos biológicos que podem fornecer nutrientes para solos, plantas e árvores.

O debate que a entidade internacional apresenta é o de que ao longo do último século, grande parte do nosso progresso econômico baseou-se em combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) e em produtos químicos produzidos pelo homem. Não existe negativa de que referido progresso tenha trazido benefícios como o aumento da segurança alimentar e a redução da pobreza em muitos países, porém vivenciamos um consumo e descarte insustentáveis de recursos naturais. E isso é uma ameaça para a atual geração e as gerações futuras.

A consequência já se apresenta, através das alterações climáticas irreversíveis, perda de biodiversidade e danos ambientais, prejudicando a saúde humana e comprometendo o desenvolvimento a longo prazo.

Assim a FAO aposta que a bioeconomia procura romper com esta situação e tornar mais sustentável a utilização da silvicultura, da pesca e da agricultura terrestre; substituir os combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis; reduzir a dependência de plásticos à base de petróleo e de agroquímicos tóxicos; e converter resíduos biológicos em matéria-prima para energia, composto e materiais de base biológica, são alguns exemplos.

A questão econômica que aqui apresento é sobre buscarmos conhecer mais e melhor a bioeconomia, numa lógica de consumo e produção responsáveis como uma lógica de mudança dos nossos patamares de desenvolvimento.