A Pesquisa Anual do Comércio divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e que retrata características estruturais do segmento empresarial da atividade de comércio no País é uma oportunidade para reflexão da importância do comércio na economia sergipana, na perspectiva de fortalecimento e valorização do referido segmento empresarial.
O estudo do IBGE abrange três principais segmentos, a saber: comércio de veículos, peças e motocicletas; comércio por atacado; e comércio varejista. Mas estes três segmentos do comércio são desagregados em 22 agrupamentos de acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, considerando-se que o setor de comércio possui grande heterogeneidade entre os setores que o compõem.
Os 22 agrupamentos são distribuídos da seguinte forma:
– comércio de veículos, peças e motocicletas (03 agrupamentos): comércio de veículos automotores, comércio de peças para veículos e comércio de motocicletas, peças e acessórios.
– comércio por atacado (10 agrupamentos): comércio por atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos; comércio por atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo; comércio por atacado de tecidos, vestuário e calçados; comércio por atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos, ortopédicos; material escritório, papelaria e artigos de uso doméstico; comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes; comércio por atacado de máquinas, aparelhos e equipamentos, inclusive TI e comunicação; comércio por atacado de madeira, ferragens, ferramentas, materiais elétricos e material de construção; comércio por atacado de produtos químicos, siderúrgicos, papel, papelão, resíduos e sucatas; e comércio por atacado de mercadorias em geral.
– comércio varejista (09 agrupamentos): hipermercados e supermercados; comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo; comércio varejista de combustíveis e lubrificantes; comércio varejista de material de construção; comércio varejista de informática, comunicação e artigos de uso doméstico; comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos; comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos; comércio varejista de tecidos, vestuário, calçados e armarinho; comércio varejista de produtos novos e usados sem especificação.
Os dados da referida pesquisa são do ano de 2021 e revelam diversas informações que reforçam a importância do comércio na economia do nosso país.
No contexto regional, o estudo aponta que na Região Nordeste, observou-se que
Bahia (27,2%), Pernambuco (20,0%) e Ceará (14,4%) foram os responsáveis por
gerar a maior parte da receita bruta da Região. Completam o ranking: Maranhão
(10,9%), Paraíba (7,6%), Rio Grande do Norte (6,1%), Piauí (5,5%), Alagoas (4,8%) e Sergipe (3,6%). Sergipe tem a menor peso na composição do comércio do Nordeste, alho natural, considerando-se o território e a população sergipana.
Na base de 2021, os dados gerais das empresas comerciais de Sergipe revelam o seguinte, conforme o estudo do IBGE:
– a receita bruta do comércio sergipano foi de R$ 31.141.520 mil, distribuídos da seguinte forma: comércio de veículos, peças e motocicletas – R$ 3.332.211 mil (10,7%); comércio por atacado – R$ 10.547.487 mil (33,9%); e comércio varejista – R$ 17.261.822 mil (55,4%). Fica evidenciado que o comércio varejista é o que possui maior peso na composição da receita do setor em Sergipe, esta é uma tradição local.
– a margem de comercialização conseguida pelas empresas sergipanas do comércio em 2021 foi de 19,2% e nos desdobramentos dos setores as margens foram as seguintes: comércio de veículos, peças e motocicletas – 18,7%; comércio por atacado – 12,7%; e comércio varejista – 23,2%. Verifica-se que o comércio varejista é o que consegue a melhor margem de resultados em suas vendas.
– do ponto de vista quantitativo, Sergipe possuía em 2021, 10.316 empreendimentos comerciais, distribuídos da seguinte forma: comércio de veículos, peças e motocicletas – 924 unidades (9,0%); comércio por atacado – 1.510 unidades (14,6%); e comércio varejista – 7.882 unidades (76,4%). Vê-se que a quantidade absoluta de unidades não é equivalente ao faturamento proporcional dos segmentos do comércio, pois é natural que o segmento de atacado sempre tenha maior faturamento proporcional que o segmento varejista por vender grandes quantidades, e no caso do segmento de comércio de veículos, peças e motocicletas, o faturamento é até melhor que a proporção quantitativa, 9% das empresas e 10,7% das receitas do comércio.
– os salários, retiradas e outras remunerações propiciadas pelo comércio sergipano em 2021 foi de R$ 1.525.614 mil, equivalentes a 4,9% do faturamento do setor e distribuídos da seguinte forma: comércio de veículos, peças e motocicletas – R$ 171.119 mil (11,2%); comércio por atacado – R$ 274.735 mil (18,0%); e comércio varejista – R$ 1.079.760 mil (70,8%).
– o pessoal ocupado na posição de 31/12/2021 nas atividades comerciais em Sergipe foi de 69.677 trabalhadores, com a seguinte distribuição: comércio de veículos, peças e motocicletas – 6.193 pessoas (8,9%); comércio por atacado – 10.122 pessoas (14,5%); e comércio varejista – 53.362 pessoas (76,6%).
Fica evidenciada a importância do comércio varejista na geração de empregos e no pagamento de salários e remuneração, pois é um segmento que responde por 76,6% das pessoas empregadas no comércio e por 70,8% das remunerações/salários, porém do ponto de vista de proporcionalidades, o comércio por atacado possui uma melhor remuneração aos trabalhadores.
Um ponto que merece atenção sobre a evolução do comércio em Sergipe é a evolução da comercialização pela internet, que engloba venda por site, aplicativos, mídia sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Esta variável em meu entendimento, mudou a realidade do comércio em Sergipe, vemos cidades com centros comerciais, modificados, como é o caso do centro comercial de Aracaju e Shopping Centers, pois a lógica de vendas no balcão foi muito afetada pela comercialização pela internet, que suplantou inclusive outros meios como televendas, porta a porta (domicílios) para quem mora em casas, feiras, ambulantes, correio (mala direta, catálogo, etc).
Que as entidades representativas do comércio em Sergipe que são bem atuantes, bem como o setor público, continuem a jornada de buscar o fortalecimento deste importante setor de atividade econômica para o estado.
