ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:43:58

A luta contra a fome

Este tema é recorrente na história da humanidade, mesmo em um mundo que apresenta recordes de produção agropecuária, ainda convivemos com manchetes que apontam a persistência de referido drama.

E isto foi recentemente apontado em um relatório conjunto das Nações Unidas (ONU), indicando que 6,5%, ou 43,2 milhões de pessoas, da população da América Latina e do Caribe sofrem de fome. Tem o lado positivo de que este número representa uma ligeira melhora de 0,5% em comparação com a medição anterior, porém a prevalência da fome na região ainda está 0,9% acima dos registros de 2019, antes da pandemia do Covid-19.

O relatório de 90 páginas que me referencio é a edição 2023 do Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutricional. Ele apresenta uma atualização dos dados e tendências de segurança alimentar e nutricional dos últimos anos. Conforme consta no documento, o impacto da pandemia da COVID-19, a crise climática e o conflito na Ucrânia, bem como o abrandamento econômico, o aumento da inflação alimentar e a desigualdade de rendimentos tiveram impacto nos números regionais.

O relatório faz parte de um trabalho conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP).

Os dados apresentados demonstram que, entre 2021 e 2022, foram alcançados progressos na redução da fome e da insegurança alimentar na América Latina e no Caribe. No entanto, os progressos alcançados estão longe das metas estabelecidas para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 que é o de acabar com a fome. Além disso, uma em cada cinco pessoas na região não consegue ter acesso a uma dieta saudável e vive com a má nutrição em todas as suas formas, incluindo o atraso no crescimento infantil, as deficiências de micronutrientes e o excesso de peso e a obesidade, continuam a ser um grande desafio na região.

Mas existem diferenças entre as regiões, na América do Sul, o número de pessoas que sofrem de fome diminuiu 3,5 milhões entre 2021 e 2022. Já na América Central, 9,1 milhões de pessoas sofriam de fome em 2022, o que significa uma prevalência de 5,1%. E no Caribe, o cenário é diferente. Nesta sub-região, 7,2 milhões de pessoas passaram fome em 2022, com uma prevalência de 16,3%. Em comparação com 2021, este número aumentou em 700 mil e, entre 2019 e 2022, o aumento foi de um milhão de pessoas, com a maioria dos casos no Haiti.

Os dados do relatório abordando o Brasil apontam o seguinte:

O Brasil é citado como um dos países com menor prevalência de subnutrição na América do Sul, com uma taxa de 4,7%; porém é uma taxa superior à da Argentina (3,2%), do Chile (2,5%) e da Guiana e Uruguai (ambos com prevalência inferior a 2,5%). O Brasil está entre os países da América do Sul que registraram insegurança nutricional moderada ou grave para um terço da sua população, os demais países que ficam nesta situação são: Argentina, Equador, Suriname, Chile e Uruguai, sendo que nestes dois últimos países, as taxas são as menores, 18,1% e 15,2% respectivamente.

No Brasil, ocorreu um aumento de 12.2 pontos percentuais no índice de prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave. No Brasil a prevalência de desnutrição aguda em meninos e meninas menores de 5 anos de idade ficou em 3,1%. No Brasil, nas últimas duas décadas, a prevalência de excesso de peso em meninos e meninas com até 5 anos, teve um aumento de 4.2 pontos percentuais. O Brasil obteve uma queda de 40% no índice de prevalência da anemia.

No Brasil ocorreu uma variação de 20% no percentual da população que não tinha acesso a uma alimentação saudável. As taxas de prevalência de subalimentação do Brasil neste Século XXI foram as seguintes: 2000-2002 (10,7%), 2004-2006 (6,5%), 2009-2011 (3,7%), 2013-2015 (2,6%), 2017-2019 (2,5%), 2018-2020 (2,5%), 2019-2021 (3,7%), 2020-2022 (4,7%). No Brasil neste Século XXI, o quantitativo de pessoas subalimentadas foram os seguintes: 2000-2002 (19,1 milhões), 2004-2006 (12,1 milhões), 2009-2011 (7,2 milhões), 2013-2015 (5,2 milhões), 2017-2019 (sem informações), 2018-2020 (sem informações), 2019-2021 (7,8 milhões), 2020-2022 (10,1 milhões).

A prevalência de insegurança alimentar no Brasil neste Século XXI foi a seguinte: insegurança alimentar grave – 2014-2016 (1,9%), 2017-2019 (1,6%), 2019-2021 (7,3%), 2020-2022 (9,9%); insegurança alimentar moderada a grave – 2014-2016 (18,3%), 2017-2019 (20,6%), 2019-2021 (28,8%), 2020-2022 (32,8%). As taxas apontadas resultam nos seguintes quantitativos de pessoas com insegurança alimentar: insegurança alimentar grave – 2014-2016 (4,0 milhões), 2017-2019 (3,4 milhões), 2019-2021 (15,5 milhões), 2020-2022 (21,1 milhões), insegurança alimentar moderada a grave – 2014-2016 (37,6 milhões), 2017-2019 (43,2 milhões), 2019-2021 (61,5 milhões), 2020-2022 (70,3 milhões).

Destes números sobre o Brasil apresentados no relatório da ONU, existe a informação de que os índices de prevalência de insegurança alimentar são maiores para as mulheres em relação aos homens, em todos os anos. Para exemplificar, no período de 2020-2022, a insegurança alimentar grave foi de 1,2% entre os homens e 8,3% entre as mulheres. Mas o principal é a busca constante de superar este desafio e o Brasil tem como principal protagonista, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.