A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgou uma notícia positiva e que deve ser objeto de análise constante nos países: “ os preços internacionais dos produtos alimentares diminuíram em Agosto/2023.
A FAO acompanha mensalmente o Índice de Preços dos Alimentos e no decorrer de 2023, ainda teremos divulgação nas seguintes datas: 6 de outubro, 3 novembro e 8 de dezembro.
Entendo que preliminarmente antes da abordagem dos fatores que contribuíram para a referida redução é fundamental entendermos conceitualmente, o Índice de Preços dos Alimentos da FAO.
De acordo com a entidade internacional, o Índice de Preços dos Alimentos da FAO (FFPI) é uma medida da variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de produtos alimentares. Consiste na média de cinco índices de preços de grupos de produtos de base ponderados pelas quotas médias de exportação de cada um dos grupos durante 2014-2016.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, acompanha as variações mensais dos preços internacionais dos produtos alimentares comercializados a nível mundial, registou, conforme a FAO, uma média de 121,4 pontos em Agosto, uma queda de 2,1% em relação a Julho e até 24% abaixo do seu pico de Março de 2022.
A FAO apontou que o Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO diminuiu 3,1% em Agosto, revertendo parcialmente um forte movimento ascendente de 12,1% em Julho. Os preços mundiais do óleo de girassol diminuíram quase 8% durante o mês, num contexto de enfraquecimento da procura global de importações e de ofertas abundantes dos principais exportadores. As cotações mundiais do óleo de soja caíram devido à melhoria das condições das culturas de soja nos Estados Unidos da América, enquanto as do óleo de palma caíram moderadamente num contexto de aumento sazonal da produção nos principais países produtores do Sudeste Asiático.
Segundo a entidade internacional, o Brasil está contribuindo para a queda de preços dos cerais pelo mundo, pois o país apresentou uma colheita recorde de milho que ampliou a oferta global.
Mas nem tudo foi só redução de preços pelo mundo, de acordo com a FAO, o contraste, o Índice de Preços do Arroz da FAO aumentou 9,8% em relação a Julho, atingindo o máximo nominal dos últimos 15 anos, refletindo perturbações comerciais na sequência da proibição das exportações de arroz branco Índica por parte da Índia, o maior exportador mundial de arroz.
No setor de laticínios, o Índice de Preços da FAO apresentou redução de 4,0% em relação a julho, liderado pelas cotações internacionais do leite em pó integral, abundante na Oceania. Os preços internacionais da manteiga e do queijo também caíram, em parte devido às fracas atividades de mercado associadas às férias de verão na Europa.
No setor de carnes, o Índice de Preços da FAO caiu 3,0%. De acordo com a entidade, os preços mundiais dos ovinos foram os que mais caíram, sustentados por um aumento nas disponibilidades de exportação, principalmente da Austrália, e pela procura mais fraca da China. A oferta robusta também derrubou os preços das carnes suína, de aves e bovina.
No setor de açúcar, o Brasil também é citado pela FAO pela grande safra colhida que auxiliou em um aumento menor, pois o Índice de Preços do Açúcar da FAO subiu 1,3 por cento em relação a Julho, situando-se em média em Agosto 34,1 por cento acima do valor registado há um ano. De acordo com a entidade, o aumento foi desencadeado principalmente por preocupações acrescidas sobre o impacto do fenómeno El Niño nas culturas de cana-de-açúcar, juntamente com chuvas abaixo da média em Agosto e condições climáticas persistentes e secas na Tailândia.
A realidade mundial é que os preços estão caindo porque estamos produzindo mais alimentos, mesmo com as questões dos fenômenos naturais decorrentes das mudanças climáticas, estamos com produção global de cereais chegando a patamares recordes, tendo-se a expectativa de que a produção mundial de cereais em 2023 aumentará 0,9 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 2 815 milhões de toneladas, a par da produção recorde realizada em 2021.
Um ponto que entendo ser relevante é a questão da capacidade logística de armazenagem e distribuição dos alimentos pelo mundo, evitando-se perdas e desperdícios e contribuindo para que com preços menores, sem prejudicar evidentemente os produtores, seja possível, reduzir a fome e a pobreza mundial, males que trazem consequências drásticas para a humanidade, como violência e insegurança.
O Brasil pode ser um dos países do mundo a mais baratear o preços de seus alimentos para a sua população local, pois além de oferta ampla possuímos capacidade de estoque e distribuição e, nesta linha destaco entre os diversos órgãos públicos que podem contribuir, o papel da Companhia nacional de Abastecimento (Conab), que poderá ampliar mais ainda a sua contribuição para a estabilidade e redução dos preços dos produtos alimentares no Brasil, país celeiro do mundo e que não tem lógica de termos pessoas que não podem se alimentar por conta de seus preços na ponta da comercialização.
