Ocorreu neste mês de novembro de 2022, a 17ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do G-20 em Bali, na Indonésia. O G20 é um grupo de países que foi formado em 1999 com o objetivo de discutir políticas para alcançar a estabilidade financeira internacional. Os membros do G20 são: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e União Européia. A Espanha é participante como convidada permanente.
Juntos, os membros do G20 representam mais de 80% do PIB mundial, 75% do comércio internacional e 60% da população mundial. Portanto, as decisões que eles tomam em conjunto impactam fortemente a economia mundial.
Anualmente o G20 faz uma reunião para construir um consenso entre as lideranças sobre a produção dos grupos de trabalho dos membros que foram realizadas ao longo do ano. Na reunião anual, além dos membros do G20, diversas organizações internacionais e regionais também participam, conferindo ao fórum uma representação ainda mais ampla.
Entre as organizações internacionais participantes, destaco a Organização Mundial do Comércio (OMC) que para esta reunião, preparou um estudo em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que foi apresentado na Cúpula do G20.
O estudo trata da volatilidade atual do mercado de fertilizantes e seu impacto na produção agrícola, ele é um apelo para que uma ação urgente seja realizada para o enfrentamento da crise de fertilizantes, o estudo descreve recomendações de políticas para os governos do G20, destacando a importância de manter o mercado de fertilizantes aberto para atender à demanda global e evitar uma crise de disponibilidade de alimentos.
De acordo com o estudo, fatores como a guerra na Ucrânia, alta inflação, interrupções na cadeia de suprimentos e a desaceleração econômica global levaram ao aumento dos preços de fertilizantes e produtos agrícolas, resultando em disponibilidade limitada em muitos países. O estudo prevê que a escassez de fertilizantes provavelmente persistirá até 2023, ameaçando a produção agrícola e a segurança alimentar na África em particular, onde os agricultores dependem fortemente de insumos agrícolas importados.
O estudo insta os governos do G20 a implementar todas as medidas políticas disponíveis para lidar com a crise de fertilizantes, destacando a necessidade de fazer todos os esforços para manter o comércio de fertilizantes aberto para que os suprimentos cheguem aos países que mais precisam deles.
Para o Brasil este tema que foi tratado no G20 tem relevância, pois conforme estudos produzidos pela Secretaria Especial de Estudos Estratégicos da Presidência da República, na atualidade, o Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, sendo o quarto país do mundo, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. A velocidade de crescimento da demanda brasileira tem superado o crescimento da oferta nacional e seu atendimento tem ocorrido via aumento de importações. O país deixou de ser exportador de fertilizantes para ser um grande importador entre 1992 e 2020.
Ainda sobre o tema de fertilizantes discutido no G20, destaco que o Estado de Sergipe possui elevado potencial para contribuir com o aumento da produção de fertilizantes no Brasil, registre-se que no estado tem uma das maiores produções de adubos nitrogenados, cuja fábrica de adubos fica em Laranjeiras e com uma produção de 650 mil toneladas de ureia por ano. Além disso, Sergipe produz também potássio e possui gás abundante, insumos necessários na retomada da produção das misturadoras de fertilizantes já implantadas, bem como, as que estão em implantação, e que irão consolidar o polo de fertilizantes do estado.
Entre as reuniões antecedentes da cúpula do G20, destacamos o debate da questão energética. O debate central envolve ações de curto prazo para acelerar a transição de combustíveis fósseis para energia limpa.
Outra questão de debate que gostaria de ressaltar foi sobre as questões de saúde. Existe o claro entendimento de que uma pandemia não deve mais tirar tantas vidas e prejudicar o desenvolvimento da economia mundial. Assim, faz-se necessário construir uma estratégia mundial que viabilize capacidade de financiamento que possa prevenir e lidar com pandemias, construindo um ecossistema saudável e sintonizado entre os países.
Ainda sobre o G20 é importante entender que a cúpula que foi realizada recentemente, teve uma preparação com os Ministros das Finanças dos membros do G20 e os Governadores dos Bancos Centrais, juntamente com os representantes técnicos, que se reuniram várias vezes por ano para a preparação dos documentos objetos de debates e deliberações.
A presidência do G20 é rotativa todos os anos entre seus membros, com o país que exerce a presidência trabalhando em conjunto com seu antecessor e sucessor, também conhecido como Troika, para garantir a continuidade da agenda. Atualmente Itália, Indonésia e Índia são os países da Troika. Isso significa que a próxima cúpula do G20 será na Índia.
O G20 não tem secretariado permanente. A agenda e a coordenação do trabalho são completadas pelos representantes pessoais dos líderes do G20, conhecidos como sherpas, juntamente com os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais.
O ápice do trabalho do G20 em cada ciclo é um comunicado expressando os compromissos e a visão de futuro dos membros, elaborado a partir das recomendações escolhidas e dos resultados das reuniões ministeriais e outras linhas de trabalho.
Que estes pontos relatados da cúpula do G20, bem como, os demais temas tratados possam contribuir para a recuperação da economia global.
