Neste ano de 2023, a Universidade de Glasgow, na Escócia, está promovendo uma série de eventos em comemoração pela passagem de 300 anos do nascimento de um dos maiores economistas da história, Adam Smith.
Em sua homenagem, abordarei neste ensaio alguns pontos de sua principal obra que é o título deste ensaio, A Riqueza das Nações.
No ano de 1776, Adam Smith publicou a primeira edição de An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. A obra, dividida em cinco livros separados, procurou explorar, por meio de exemplos históricos e contemporâneos, o que fez com que as nações fossem ricas. Grande parte dessa discussão investigou a influência do comércio na sociedade contemporânea, nos seus aspectos positivos e negativos.
No seu trabalho, Adam Smith argumentou que a riqueza de uma nação estava diretamente relacionada ao bem-estar de seus cidadãos. Algo muito simples e que na sociedade atual é muito esquecido.
Adam Smith em sua obra, apresenta um destaque especial para o papel central que é desempenhado pelos empresários. É um grupo de pessoas que possui empresas, organiza a produção, a divisão do trabalho e dedica capital para tentar continuamente melhorar sua posição.
Julgo que este é um momento de refletirmos sobre algumas das ideias que o Adam Smith apresentou na sua obra, na perspectiva de superação das dificuldades que recentemente temos visto em algumas empresas no âmbito nacional.
A importância da geração de resultados positivos pelo setor empresarial é fundamental para a sustentabilidade empresarial e a respectiva manutenção de emprego e massa salarial. Referido resultado é conceitualmente chamado de excedente, que é decorrente de processos eficientes, pois é criado valor extra. É com o excedente que os empresários mobilizam os seus investimentos nas empresas, tanto na perspectiva de modernização como na perspectiva de crescimento e ampliação de capacidade instalada.
Adam Smith aponta que à medida que mais bens e serviços de maior qualidade são produzidos e oferecidos de forma mais eficiente, os preços caem e os bens e serviços tornam-se mais prontamente disponíveis, melhorando o padrão de vida da sociedade
As premissas da especialização são exemplificadas no setor comercial, a saber: pedimos aos outros que façam coisas que nós mesmos não podemos fazer. Um terceiro fornecerá mercadorias e serviços a outro, não por gentileza, mas pelo benefício que obtém da venda.
Adam Smith é sempre associado ao conceito de mão invisível, uma metáfora que explica como, sob certas condições, a sociedade competitiva se beneficia das consequências não intencionais e ininterruptas de indivíduos que buscam seus próprios interesses.
Um ponto que precisa ser desmistificado neste conceito de mão invisível de Adam Smith é com relação aos mercados livres, entendidos na atualidade como mercados que se auto regulam e competem livremente sem intervenção de terceiros ou do governo, conseguindo assim, um equilíbrio natural. Cabe registrar que Adam Smith era a favor da intervenção do Estado, em certos momentos e sob certas condições, na perspectiva de facilitar os benefícios da sociedade comercial.
O livro “A Riqueza das Nações” é considerado um marco no pensamento sobre economia e sociedade. É a partir desta obra que se inicia a moldagem da disciplina moderna da economia, dando-nos muitos dos conceitos centrais que ainda usamos para entender o mundo econômico. Para muitos pesquisadores internacionais, existia em Adam Smith, um compromisso de entender o mundo de maneira sistemática e baseada em evidências que inspirou futuras gerações de cientistas sociais e mudou a maneira como pensamos sobre o mundo moderno.
Cabe registrar que o conceito de riqueza de uma nação em Adam Smith é diferente do conceito de riqueza de um país do economista russo Simon Kuznets (1901-1985) autor inicial do conceito de Produto Interno Bruto (PIB), conceito desenvolvido na década de 1930. Depois, em 1953, o economista britânico Richard Stone (1913-1991) criou o cálculo do PIB, como medida universal para medir a riqueza das nações. Simon Kuznets ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1971 e Richard Stone ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1984.
Do ponto de vista da Riqueza do Brasil, apresento adiante alguns dados que revelam a sua riqueza, na forma conceitual de Adam Smith: – uma população estimada de pouco mais de 213 milhões de habitantes; com um PIB per Capita (PIB dividido pela população) de R$ 35.935,69; que encerrou o 1º trimestre de 2023 com uma taxa de desemprego de 8,8%; com uma taxa de escolarização (percentual de pessoas de 6 a 14 anos que frequenta escola em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário) de 99,7%; com uma taxa de analfabetismo (percentual de pessoas analfabetas de 15 anos ou mais em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário) de 6,6%; com uma taxa de fecundidade (corresponde ao número médio de filhos tidos pelas mulheres em idade fértil – 15 a 49 anos) de 1,76; com uma mortalidade infantil de 11,20 óbitos por cada mil nascidos. Estes e outros indicadores formam a riqueza do nosso Brasil, sem perder na soma, os nossos indicadores dos setores econômicos que formam a nossa economia.
Que neste 300º ano do nascimento de Adam Smith, possamos comemorar resgatando as suas principais ideias que buscavam uma sociedade melhor.
