ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:49:53

A segunda onda

O desmanche das estruturas provisórias hospitalares e o retorno das atividades em geral nas cidades brasileiras transmitem uma sensação de que a pandemia acabou, e tudo voltou ao normal.

As praias estão repletas de pessoas, os bares cheios e os esportes coletivos como o futebol de areia voltaram com toda força, como antes do coronavírus. Registre-se que os avisos dos médicos e dos profissionais de saúde continuam, e o quadro pandêmico apesar de ter havido redução de mortes e de notificações, estamos distantes do período anterior ao mês de março.

A Europa, cujo inverno está chegando, já sente a força da segunda onda, com o retorno do lockdown, toque de recolher e restrições em países como a Grã-Bretanha, Itália, Espanha, França e Portugal.

Por outro lado, não há sinais de que uma vacina eficaz e com produção em escala mundial tão cedo irá aparecer. Não há também nenhum medicamento específico para tratar com segurança a COVID-19.

Insisto em tratar desse assunto porque percebo em muitas pessoas uma postura negacionista da doença. Espero que esses descrentes das graves consequências da infecção pelo coronavírus não sofram o golpe da perda de nenhum parente ou amigo, e nem eles mesmos sejam vítimas de sua ignorância.

É importante lembrar a todos que já são mais de 160 mil mortos no país, comparando com a gripe espanhola em 1918 que matou cerca de 35 mil pessoas no Brasil e mais de 50 milhões no mundo, inclusive matou o Presidente do Brasil eleito, Rodrigues Alves, essa pandemia é muito mais grave.

A pandemia já deixou várias histórias de esforço dos profissionais da saúde que inclusive perderam a própria vida, de pessoas anônimas que dão exemplo de postura respeitosa no cumprimento dos protocolos e orientações das autoridades sanitárias.

Provavelmente com a chegada do verão, quando diminuem as síndromes gripais e respiratórias, haja uma tendência maior ainda do relaxamento, e essa situação poderá agravar quando o verão se for e chegar o período de inverno.

A administração pública tem que ser proativa para continuar motivando as pessoas a se protegerem, e deve cuidar das estruturas de atendimento de saúde porque o mais provável, antes de uma vacinação em massa, é que uma segunda onda chegue com toda força.

A pandemia é um inimigo que somente se vence com informação, cuidados individuais e coletivos, oferta de serviços médicos e infraestrutura hospitalar e muito bom senso.

Não há outro meio para que sejamos vencedores. Pensem no valor de cada vida perdida, não só para familiares e amigos, mas para a humanidade. Nos reconhecemos frágeis e incapazes do enfrentamento com a certeza da vitória.

Prevenir, é a palavra de ordem para enfrentar a segunda onda.