No dia 30/03/2023, o Banco Central do Brasil publicou mais um relatório trimestral de inflação. De acordo com a autoridade monetária do nosso país, o relatório de inflação apresenta as diretrizes das políticas adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), considerações acerca da evolução recente do cenário econômico e projeções para a inflação. Dessa forma, abordarei adiante as perspectivas de inflação para o Brasil no decorrer de 2023.
Importante registrar que o Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão do Banco Central, formado pelo seu Presidente e diretores, que define, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia – a Selic.
A reunião do Copom segue um processo que procura embasar da melhor forma possível a sua decisão. Os membros do Copom assistem a apresentações técnicas do corpo funcional do Banco Central, que tratam da evolução e perspectivas das economias brasileira e mundial, das condições de liquidez e do comportamento dos mercados. Assim, o Comitê utiliza um amplo conjunto de informações para embasar sua decisão. Depois, a reunião é reservada para a discussão da decisão entre os membros. A decisão é tomada com base na avaliação do cenário macroeconômico e os principais riscos a ele associados. Todos os membros do Copom presentes na reunião votam e seus votos são divulgados. As decisões do Copom são tomadas visando com que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA situe-se em linha com a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN.
As projeções apresentadas no Relatório de Inflação do Banco Central do Brasil, de acordo com a instituição, representam a visão do Copom e são resultado da combinação dos seguintes elementos: projeções de especialistas para preços livres para horizontes mais curtos e para preços administrados até determinado horizonte; utilização de modelos macroeconômicos, de modelos satélites e de modelos específicos para os itens de preços administrados; emprego de determinadas trajetórias para os condicionantes; e avaliação sobre o estado e perspectivas da economia.
No panorama econômico atual a taxa de inflação do Brasil medida pelo IPCA está em 5,60% (considerando-se os últimos 12 meses), é um percentual acima da meta estipulada de 3,25% e que possui bandas de 1,5%, ou seja, caso a inflação estivesse em 4,75% estaríamos cumprindo a meta dentro do intervalo de bandas, mas estamos 0,85 pontos percentuais acima, sendo ainda desafiador, a perspectiva de cumprimento da meta de inflação do Brasil.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) responsável pela medição da inflação pela IPCA, a inflação do Brasil em fev/2023 ficou em 0,84%, maior que a de jan/2023 que foi 0,53%, portanto a inflação acumulada em 2023 (jan e fev) ficou em 1,37%.
Para compreender o que é o IPCA como ele é calculado, importante destacar que ele é o índice de referência do sistema de metas para a inflação e mede o preço de uma cesta de consumo representativa para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, nas Regiões Metropolitanas do Brasil, mais Brasília, Rio Branco, São Luís, Aracaju, Campo Grande e Goiania.
Além da questão geográfica na composição do IPCA, julgo relevante, relembrar quais os itens que pesam mais no cômputo da inflação, e conforme o IBGE, os itens que pesam mais são os seguintes: Alimentação e bebida (21,8797%), Transportes (20,4430%), Alimentação no domicílio (16,9564%), Habitação (15,2306%), Saúde e cuidados pessoais (13,0028%) e Despesas pessoais (10,0872%). Juntos estes principais itens representam 97,5997% do peso da inflação, portanto acompanhando a dinâmica destes itens tem-se como projetar perspectivas inflacionárias ou deflacionárias.
As perspectivas apontadas pelo Banco Central são as seguintes: IPCA apresentado no Relatório de Inflação de dezembro de 2023 (5,0%), dezembro de 2024 (3,0%) e dezembro de 2025 (2,8%). Registre-se que a meta de inflação do Brasil será de 3,0% em 2024 e 2025, ou seja, uma meta mais ousada que a atual, que é de 3,25%.
Ainda teremos tempos difíceis, pois segundo o relatório de inflação do Banco Central, as projeções de inflação aumentaram para todo o horizonte. Considerado a partir do terceiro trimestre de 2023, especificamente nesse trimestre, mudança na hipótese sobre as bandeiras tarifárias reduziu de forma significativa a diferença em relação às projeções do Relatório anterior.
O Banco Central do Brasil S/A alerta que a inflação gera incertezas importantes na economia, desestimulando o investimento e, assim, prejudicando o crescimento econômico. Os preços relativos ficam distorcidos, gerando várias ineficiências na economia. As pessoas e as firmas perdem noção dos preços relativos e, assim, fica difícil avaliar se algo está barato ou caro. A inflação afeta particularmente as camadas menos favorecidas da população, pois essas têm menos acesso a instrumentos financeiros para se defender da inflação.
Os resultados apresentados os Relatórios de Inflação, informam as projeções de inflação apresentadas e representam a visão do Copom e são resultado da combinação dos seguintes elementos: análise de conjuntura e projeções de especialistas para horizontes mais curtos; utilização de modelos macroeconômicos, de modelos satélites, de modelos específicos para os itens de preços administrados e de estudos; construção de trajetórias e hipóteses sobre os condicionantes; e avaliação sobre o estado e perspectivas da economia.
Neste controle e acompanhamento das perspectivas inflacionárias medidas pelo IPCA, entendo ser importante saber que existem outros índices que também medem a inflação brasileira, a exemplo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, que verifica a variação apenas para famílias com entre 1 a 5 salários mínimos de renda mensal. Além disso, ter a visão da inflação futura é fundamental para a organização dos orçamentos de receitas, custos e investimentos do setor empresarial.
