ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:36:29

Cenários Macroeconômicos

Abordarei alguns informes de cenários da macroeconomia no nível mundial e do Brasil na perspectiva entendimento de como podemos modelar o futuro.

Do ponto de vista da riqueza mundial medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), aponta que o mundo crescerá neste ano de 2024 2,9%, distribuído geograficamente da seguinte forma: economias avançadas crescendo 1,5%, zona do Euro crescendo 1,2% e economias emergentes crescendo 4,0%. Para o próximo ano (2025), a perspectiva é de um crescimento mundial de 3,2%, distribuído da seguinte forma: crescimento das economias avançadas em 1,8%, crescimento da zona euro também em 1,8% e crescimento das economias emergentes em 4,1%. E para o ano de 2026, o cenário projetado é para um crescimento mundial do PIB em 3,2%, distribuído da seguinte forma: economias avançadas crescendo 1,9%, zona do euro crescendo 1,7% e economias emergentes crescendo 4,1%.

Este cenário prospectivo de três anos (2024, 2025, 2026) aponta um crescimento médio global anual de 3,1% que é inferior ao crescimento médio global dos três anos anteriores (2021, 2022, 2023), cuja média de crescimento anual do PIB foi de 4,27%, decorrente de um crescimento de PIB de 6,3% em 2021, 3,5% em 2022 e 3,0% em 2023. A diferença decorre dos percentuais de maiores nos anos de recuperação econômica posterior à pandemia da Covid-19, pois no início da pandemia a redução foi muito acentuada, mas logo após a melhoria da situação a economia mundial recuperou-se e demonstra uma certa estabilidade em seu crescimento. Registre-se que em publicação recente, o FMI apontou que a previsão para o crescimento global daqui a cinco anos será de 3,1%, sem um dos ritmos mais baixos nas últimas décadas. Geograficamente as economias emergentes continuam sinalizando perspectivas de crescimento maiores que as demais regiões, característica própria da definição de economia emergente.

Exemplificando as perspectivas de crescimento de forma mais analítica, ou seja, por países, temos os seguintes cenários para os próximos três anos (2024, 2025, e 2026): Brasil com crescimento de 1,5% em 2024, 1,9% em 2025 e 1,9% em 2026 – o Brasil é classificado como país emergente; China com crescimento de 4,2% em 2024, 4,1% em 2025 e 4,1% em 2026 – A China assim como o Brasil tem a classificação de economia emergente; Alemanha com crescimento de 0,9% em 2024, 2,0% em 2025 e 1,9% em 2026 – A Alemanha faz parte da Zona do Euro e também está entre as economias avançadas; e por fim, os Estados Unidos, a maior economia do mundo, sendo naturalmente uma economia avançada tem uma projeção de crescimento do PIB de 1,5% em 2024, 1,8% em 2025 e 2,1% em 2026.

Para o FMI, a economia global tem sido surpreendentemente resiliente, com perspectivas de médio prazo demonstrando que o menor crescimento previsto do produto per capita decorre de fricções estruturais persistentes que impedem a transferência de capital e trabalho para empresas produtivas. Destacando-se que as perspectivas mais sombrias de crescimento na China e em outras grandes economias de mercado emergentes irão pesar sobre os parceiros comerciais e isto impacta o crescimento mundial.

O entendimento da economia mundial passa pelo conhecimento da situação do status de seu PIB per capita (A riqueza média da população), que nas mesmas economias que selecionamos apresentam o seguinte cenário: Brasil, 2024 – US$ 11 mil, 2025 – US$ 11,4 mil e 2026 – US$ 11,9 mil; China, 2024 – US$ 13,2 mil, 2025 – US$ 14,0 mil e 2026 – US$ 15,0 mil; Alemanha, 2024 – U$ 56,0 mil; 2025 – US$ 59,1 mil e 2026 – US$ 61,8 mil e por fim, os Estados Unidos, 2024 – US$ 83,1 mil, 2025 – US$ 85,9 mil e 2026 – US$ 88,9 mil. Vê-se como é distante o PIB per capita do Brasil destas economias, estamos mais próximos do PIB per capita da China que no passado já teve PIB per capita menor que o do Brasil e com relação às economias avançadas citadas é diferença é bem significativa, analisando este ano de 2024, teremos no Brasil um PIB per capita equivalente a 83% do PIB per capita da China; 20% do PIB per capita da Alemanha e 13% do PIB per capita dos Estados Unidos.

Com relação uma importante variável macroeconômica que influencia o crescimento e desenvolvimento dos países, a inflação, as projeções para os próximos anos são de inflação nos seguintes patamares: 2024 – Mundo com inflação de 5,8%, 2025 inflação mundial de 4,6% e 2026 inflação mundial de 4,2%. Referidas taxas são projetadas geograficamente da seguinte forma: economias avançadas, taxas de 3,0% em 2024, 2,2% em 2025 e 2,0% em 2026; zona do euro, taxas de 3,3% em 2024, 2,2% em 2025 e 2,0% em 2026 e economias emergentes com taxas de inflação de 7,8% em 2024, 6,2% em 2025 e 5,7% em 2026. Percebe-se que existe um cenário de mais estabilidade inflacionárias entre as economias avanças e a zona do euro em relação aos países emergentes.

Para o Brasil o cenário projetado de inflação para os próximos três anos é o seguinte: 4,5% em 2024, 3,0% em 2025 e 3,0% em 2026. Para explicar a média elevada prevista de inflação para as economias emergentes, temos alguns exemplos que apontam cenários bem desafiadores como o da Argentina que tem uma perspectiva de inflação de 276% para 2024 e a Turquia que tem uma perspectiva inflacionária de 68,5% para 2024.

As taxas inflacionárias repercutem nas taxas de juros por questões de gestão da política monetária, em face de ser a taxa de juros a variável utilizada para o controle inflacionário. Por isso, temos perspectivas de taxas de juros maiores em países com elevada inflação e menores e países com inflação sob controle.  As taxas de juros projetadas para 2024 em algumas economias selecionadas são as seguintes: Argentina, 80,0%; Turquia, 50,0%; Russia, 16,0%; México, 11,0%, Brasil, 10,75%; África do Sul, 8,25%; Estados Unidos, 5,5%; Reino Unido, 5,25% e China 3,45%.

Fechando esta breve análise com foco no Brasil, destacamos que o Brasil projeta bons resultados na balança comercial e esta é uma variável de destaque para a geração de emprego e renda. O superávit da balança comercial previsto para 2024 é de US$ 80,5 bilhões diante de um cenário de taxa de desemprego que vem declinando a patamares inferiores a 8,0% e que pode se aproximar nos próximos de taxas mais estáveis viabilizando um futuro melhor para o nosso país.