O Banco Central do Brasil, divulgou uma publicação relevante e que faz parte de suas ações de cidadania financeira, trata-se do Guia de Excelência na Oferta de Produtos e Serviços Financeiros, trabalho que apresenta informação e orientação no momento da oferta de um serviço financeiro.
Dessa forma, a expectativa da autoridade monetária do nosso país é que o guia possa contribuir para que o consumidor tome as melhores decisões em relação à sua aquisição de crédito, mais ciente dos custos e dos riscos envolvidos na contratação.
De acordo com o Banco Central do Brasil, o guia tem o objetivo principal de difundir as boas práticas de crédito responsável, essencial para a prevenção do superendividamento. Referidas boas práticas devem ser observadas pelas instituições financeiras quando da oferta de crédito.
Estas orientações são relevantes para uma boa saúde financeira da população, registrando-se que conforme o Banco Central, o crédito, quando mal concedido e mal utilizado, é uma das principais fontes de estresse financeiro para a população, podendo gerar a situação de superendividamento.
A publicação, que possui 31 páginas, e conforme apresentado pelo Banco Central do Brasil, é dividida em quatro seções. Em publicidade e oferta, o Banco Central indica a necessidade de não estimular a contratação de operações de crédito por impulso, evitando o termo “dinheiro agora”, por exemplo. Já o capítulo sobre contratação de crédito traz a necessidade de efetiva transparência sobre custos da operação, facilitando o entendimento pelo consumidor, e utilizar mecanismos para a dupla confirmação da operação.
Dentre as seções apresentadas, irei abordar de forma mais detalhada a Seção 4 – Cartão de Crédito; isto por que várias pesquisas já foram divulgadas por entidades que trabalham a questão do crédito, revelando que falta educação financeira para a nossa população, e de forma especial, como controlar os gastos no uso do cartão de crédito.
Importante destacar que a educação financeira não se resume ao simples ato de poupar dinheiro, mas de ter uma atitude consciente e saber usar de forma adequada os recursos financeiros disponíveis planejando as contas pessoais para um período de longo prazo.
A primeira questão que destaco é o uso do pagamento mínimo no cartão de crédito – muitos usuários não sabem que ao realizar o pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito, o saldo remanescente a ser cobrado na fatura seguinte, vai ter acréscimo de juros e impostos, e isto significa a contratação de uma nova operação de crédito, conhecida como crédito rotativo. A minha recomendação como economista é que ao utilizar o cartão de crédito, avalie o valor das parcelas de todos os usos feitos pelo cartão e observe se está dentro de sua capacidade de pagamento de obrigações mensais. Assim, será possível, o uso correto do cartão de crédito com o pagamento integral da fatura mensal.
O uso do cartão de crédito é muito associado com o imediatismo do brasileiro, que em geral não sabe controlar os gastos, não sabe fazer planejamento e realiza compras por impulso, atraídos por ações de marketing indutoras do consumo, estratégia normal e natural de vendas realizada por comerciantes.
É por conta desta situação, que no referido guia sob comentário, o Banco Central do Brasil, orienta que as instituições financeiras, ofereçam serviços que auxiliem o cliente no monitoramento de seus gastos no cartão de crédito. Um deles é o aviso ao cliente via SMS ou push sobre nova compra no cartão e incluindo a apresentação do total de gastos até o momento da próxima fatura.
O Guia de Excelência na Oferta de Produtos e Serviços Financeiros, apresenta importantes informações sobre renegociação de dívidas. Entre as informações, destaco, a orientação dada ao cliente de procurar a instituição financeira de forma voluntária e preventiva para a renegociação das dívidas, antes mesmo de entrar em situação de inadimplência. Caso o cliente não tenha referida iniciativa, o Guia do Banco Central recomenda que a instituição financeira seja proativa em identificar que o cliente pode estar iniciando um processo de superendividamento e necessita de ajuda.
Um ponto de atenção nas renegociações de dívidas é a armadilha de ao resolver a situação que foi renegociada, o cliente se envolver em mais concessão de crédito, aumentando o seu nível de endividamento.
Outra opção de crédito que também é objeto de descontrole por boa parte da população é o Cheque Especial. Muitas pessoas utilizam o valor do cheque especial, esquecendo-se que se trata de uma operação de crédito. E alguns chegam no limite de uso da totalidade do cheque especial, sem disponibilidade de recursos para pagar os encargos mensais do uso do cheque especial. Destaco que o cheque especial também é passível de renegociação nas instituições financeiras, porém, a recomendação é de ao renegociar dívidas de cheque especial, seja suspendido automaticamente o limite, até a quitação total da dívida, evitando-se novos descontroles financeiros.
Entendo que divulgar o Guia do Banco Central do Brasil é também uma pequena contribuição para a ampliação da educação financeira em nosso país, visando inclusive, o fortalecimento do sistema financeiro, com redução de inadimplência e a melhoria da solidez que seja adequada para contribuir com o crescimento econômico do país.
