Cêssa é o apelido que, durante toda a vida, abafou o nome de Maria da Conceição de Carvalho, minha parenta pelo lado dos Carvalho, filha de Maria Francisca de Carvalho, e, assim, sobrinha de meu trisavô paterno Francisco Alves de Carvalho, e, nesse passo, prima carnal de meu bisavô Cícero Alves de Carvalho, e daí por diante, etc. e etc. Camilla Almeida de Melo é bisneta de Cêssa, na condição de neta de José Sizinio de Almeida, e de filha de Suzana Almeida Melo.
Bem exposta a situação factual, cuidasse de um voto. Mas, a realidade aqui é outra, nesse paralelo a atar dois nós bem distantes via do livro. E então, vamos lá. Cêssa não cultuava o livro, nem acredito que tivesse tempo. Ao casar, em 1903, passou três décadas parindo. Mas, Camilla publicou um livro, exatamente sobre a sua primeira gestação: Memórias de uma gestação cor de rosa.
O que o livro tem a haver com o elo parental entre a bisavó e a bisneta? Em princípio nada, porque Cessa não teria tempo para cultuar o livro, ante a ninhada produzida, tampouco, acredito que algum filho o tenha feito. Na classe dos filhos, portanto, nenhum registro. E, aí, então, ingressando na geração dos netos, a história muda de rumo. Os netos, sim, os netos de Cessa, alguns, quatro, pelo menos, de três filhos diferentes, publicam livros: um, filho de José Sizinio de Almeida, de nome José Sizenando Almeida, ou seja, Nandinho, autor de Um analfabeto que gosta de ler; outro, filho de Maria Cristina Pinheiro Noronha, de nome Walter Pinheiro Noronha, autor de um romance; e dois, filhos da filha mais nova de Cêssa, Maria de Almeida Souza, isto é, Tereza Cristina e Jorge Luiz Pinheiro de Souza, são poetas de três livros de poesia.
Agora, a lista dos bisnetos, onde Camilla Almeida de Melo se situa. Tomando o avô como ponto de apoio: a] netos de José Sizinio de Almeida: Leonardo Ferreira de Almeida, autor de alentada biografia do padre missionário Antonio José Góes [2020]; e a própria Camilla Almeida de Melo, o já citado, sobre a primeira gestação [2021]; b] neta de José Almeida: Ana Márcia Barreto Nascimento: Debulhando ilusões – verso e prosa [2021].
Foi lendo o livro de Camilla que a figura de Cêssa voltou à tona. A bisavó passou pelo primeiro parto em 1904; o último, entre o final de 1925 a 1926. Camilla escreveu um livro para registro das emoções do primeiro. A bisavó teria deixado uma imensa biblioteca de emoções, partos em casa, a parteira que chegasse cedo que a criança não esperava, a lenha queimando no fogo para as necessidades do parto, tudo artesanalmente feito, se algo saísse da linha, a parturiente já seria dali levada diretamente para o céu. Cêssa foi uma heroína. Sobreviveu. E fruto dessa sobrevivência, Camilla, sua bisneta, saúda, com um livro, a chegada de Catarina, de Cêssa, trisneta. Vida longa para a nova trisneta de Cessa, que na trisneta permanece viva, como uma excelente árvore, cujos frutos, desde 1904, se espalham pela vida a fora.
