O apelido, Fateira, que se grudou ao seu nome, Cosme Fateira, nasceu no Aracaju. Não é reminiscência trazida de Itabaiana, onde era só Cosme, um dos seis filhos de Gumercindo. Pegou de um jeito que até isoladamente, só como Fateira, já era suficiente para identifica-lo. Depois, desconfia-se que o anjo tenha lhe dado a virtude de ser notado onde quer que chegasse. Aliás, Cosme chamou a atenção desde que nasceu, e, como ouvi de minha mãe, nasceu primeiro que Damião. Este, ao vê-lo, ficou tão chocado com a feiura do irmão que morreu na mesma hora. Só Cosme escapou porque não colocaram um espelho a sua frente.
De Itabaiana, dois fatos adornam a biografia. Um, o lançamento, a sua revelia, da candidatura a vereador, em 1958, com panfletos lançados nas ruas: Ruim por ruim vote em min. Para vereador, Cosme Fonseca de Oliveira. Não guardei nenhum deles, mas conservei o texto na memória. Não se candidatou. Pode ser que tivesse achado melhor esperar um pouco para o lançamento ser feito no Aracaju, onde alcançaria o grau de vereador e foi autor da notável proposta da Câmara conceder o título de cidadão aracajuano ao urubu porque limpava a cidade mais que o prefeito.
O outro fato repousa em foto que, acredito, só restou a minha. Pedro Ivo, bancário, desenhista de mão cheia, elaborou um sputinik, com porta de entrada, que foi fotografado por Joãozinho Retratista e circulou em Itabaiana. Uma foto dessa veio parar na minha mão, e, eureca, a conservo intacta, reservada a condição de capa de livro sobre a verve filosófica do itabaianense.
A legenda, abro aspas: Mais outro “sputinik” é lançado no espaço sideral!!! Desta vez cabe o mérito da façanha ao renomado cientista sergipano, Dr. Pedrovisk Garciavisk Morenov. No interior da espaçonave mais outra cadelinha “cósmica”. Fecho aspas. Retirada a janela, com corrente no pescoço, falando um bip, bip, bip perante um microfone, o chão com osso e um balde vazio, está a caricatura de Cosme, de perfil, o rosto cumprido, antes de ser Fateira.
Bem, de Aracaju, Cosme pulou para Brasília, seu ninho final, onde a morte selou sua palavra. Ficou um acervo imenso de fatos que bem retratam sua verve, o colocando ao lado de Filomeno Andrade e Zéquinha das sete portas, formando a trilogia maior dos filósofos itabaianenses. Agora é com os escribas recolhendo os cacos. Tarefa para muito tempo.
Membro das Academias Sergipana e Itabaianense de Letras
