ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:40:46

De praia e de quartos trancados

Praia de Santa Eulália, em Albufeira. Quinze horas. O  Sol parece uma fogueira. A praia cheia. A jovem caminha com seu companheiro. De interessante o fato de só usar a parte inferior do biquíni. Em outro dia, em Alvor, na Prainha, em frente ao restaurante Caniço. O sol forte não me entusiasmou a pisar na praia, nem estava em trajo de banho. Fico no aguardo do restaurante abrir as portas, numa espécie de sacada. De lá, enquanto espero, os olhos correm para os que estão a pouca distância, e, nesse espiar, duas mulheres tomam banho de sol, e, outra, em pé, fala ao telefone. De comum, todas três só com a parte inferior do biquíni. Uma e três, quatro.

Tudo se conflita com duas mulçumanas, em seus vestidos pretos, cabelos e corpo escondidos, exibindo apenas o rosto, a caminhar no bairro histórico de Lagos, com a mesma tranqüilidade das quatro mulheres que estão com os seios à vista de todos. Em miúdo,  umas mostram demais; outras, escondem tudo. No primeiro caso, a evolução dos costumes, na abreviação das roupas, sobretudo nas praias, a escancarar os seios, permitindo que os raios solares chamusquem a pele. No outro, a manutenção dos costumes de séculos e séculos, que ninguém ousa avançar, vestindo hoje da mesma forma que ancestrais de séculos e séculos se trajavam.

Volto, então, os olhos para a minha aldeia, onde escuto um conterrâneo, a me contar que o filho leva a namorada a fim de dormir em sua casa, o que lhe tirou a autoridade para proibir a filha de, igualmente, com o namorado, agir da mesma forma. Na justificação de sua política de boa convivência com os filhos, adaptando ao admirável novo mundo, esclarece que na casa do irmão, que também tem um casal de filhos em casa, se procede da mesma forma. Então, viva.

Eu me limito a ouvir, porque o discurso do conterrâneo é agradável e espontâneo, fluindo no mesmo tom, a mostrar um pai, sacolejado da boa inveja dos tempos de hoje, como a dizer o que não faria, se pudesse, com as ofertas cada vez mais provocadoras. Falo, por fim, quando o meu interlocutor me concede, implicitamente, a palavra. E o avô, o que acha?. Pai? Ora, não sabe de nada. Se soubesse, só teria um comentário, e, sem precisar imitar, porque a semelhança é imensa, explode com um é tudo puta, é tudo puta. Nem concordo, nem discordo. Apenas ouço.