Não é novidade que no mundo digital, uma parte da população vem sendo enganada por falsas informações sobre as vacinas.
O movimento antivacinação aumentou com pandemia da COVID-19, e qual a razão disso? Muitas explicações podem ser dadas a partir da observação sociológica. O mundo passa nas últimas décadas por uma mudança de visão. No século 18 a luta no mundo ocidental é pela liberdade, não é atoa as declarações de direitos focadas exatamente neste sentido.
Nos séculos IXX e XX as mudanças são no sentido de ampliar os direitos, e os direitos sociais ganharam destaque e principalmente o direito à saúde. As conquistas tecnológicas e o avanço da pesquisa científica nos permitiram a prevenção de doenças, antes causadoras de pandemias, com as vacinas. Lembrando da vacina contra a febre amarela, contra a paralisia infantil, e outras doenças que ainda hoje vitima crianças, jovens, adultos e idosos.
A vacina é uma conquista importante para todos, especialmente nos países mais pobres onde os serviços de saúde vivem uma realidade de quase desastre. Entretanto, nos países que já avançaram com estruturas complexas como o Brasil, os movimentos antivacinação têm provocado um dano irreparável à saúde pública sob a falsa premissa da liberdade.
A liberdade, no sentido primário do século XVIII, não faz mais sentido diante da construção atual do respeito ao coletivo. Assim, o direito individual da liberdade não pode causar prejuízo ao direito de um coletivo de pessoas.
No campo da saúde a obrigação do cidadão em preservar o respeito à saúde de outrem é tão séria que o seu desrespeito é crime. Por exemplo: não se pode cogitar que alguém sabendo-se infectado com uma doença sexualmente transmissível possa fazer sexo sem camisinha e dizer que esse é seu direito de liberdade.
Não é diferente quando tratamos das vacinas. Essa foi a razão de um evento internacional ocorrido no último dia 12 de dezembro no Rio de Janeiro com a participação de academias de medicina de países como os Estados Unidos, França e Portugal e do Brasil, discutindo a desinformação sobre as vacinas e o reflexo na baixa cobertura vacinal.
Todos são responsáveis por sua conduta individual no combate as fakes news e a uma cultura que retorna à ignorância do século das trevas, já passado, desde que as luzes do conhecimento iluminaram os povos.
