A B3, que é a bolsa do Brasil, lançou um manual, cujo título é “Investimos em Diversidade, Equidade e Inclusão – Guia de Boas Práticas”, cujo objetivo é ajudar as empresas na sua jornada rumo à diversidade, equidade e inclusão. Conforme consta na publicação de 42 páginas, a obra foi produzida em parceria com a iO Diversidade e o Instituto Locomotiva.
A publicação tem um formato de manual de recomendações, apresentam os seguintes eixos: os principais benefícios e desafios do fortalecimento da agenda de DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão) nas organizações; o impacto que a integração de perspectivas diversas traz aos negócios; experiências e ações práticas que servem de referência às empresas que estão construindo ou que desejam iniciar sua estratégia DE&I.
A relevância do tema pode ser referenciada em um estudo recente da B3, demonstrando que, em um universo de 100 empresas com ações negociadas na Bolsa, apenas seis delas têm três ou mais mulheres em cargos de diretoria estatutária e 61 não dispõem de uma única mulher ocupando esses postos. Ainda que deem conta apenas de um dos pilares da diversidade, que é a questão de gênero, e com recorte da presença de mulheres na alta liderança, os números espelham a realidade do quanto essa pauta ainda precisa avançar nas companhias brasileiras.
De acordo com a B3, a construção de um ambiente diverso é um atributo estratégico para qualquer negócio e vem sendo cada vez mais valorizado pelos consumidores, investidores e pela sociedade como um todo.
O setor empresarial precisa refletir sobre a adoção de boas práticas que seus concorrentes e empresários de outros setores estão realizando neste quesito, é uma questão de sobrevivência.
No guia de boas práticas alguns conceitos importantes são apresentados e repassarei adiante, a saber:
Equidade – de acordo com o Guia que estamos abordando, a equidade compreende um conjunto de ações e políticas para a promoção de tratamento justo e equitativo, com o objetivo de igualar oportunidades para os diferentes grupos que compõem a diversidade. Assim, para a B3, falar de equidade no contexto corporativo é reconhecer a responsabilidade das empresas em promover o desenvolvimento, a participação e a promoção dos indivíduos pertencentes a grupos sub representados nas atividades e funções organizacionais, a fim de igualar as oportunidades.
Inclusão – neste quesito, de acordo com a B3, é preciso refletir a respeito do quanto o ambiente corporativo está aberto e preparado para acolher as pessoas que integram grupos sub-representados e trabalham nas corporações, de maneira que todos se sintam seguros, pertencentes e capazes de concretizar suas potencialidades. Para a B3, os processos, políticas e práticas que promovem um ambiente saudável de coexistência das diferenças compõem o conceito de inclusão.
De acordo com o exposto no Guia de boas práticas, pesquisas realizadas nos últimos 12 anos, têm apontado os diferenciais competitivos que uma empresa que investe em diversidade, equidade e inclusão tem em relação a uma que não investe. Listamos alguns adiante, a saber:
– empresas com maior diversidade de gênero, em suas equipes executivas são 21% mais propensas a terem lucratividade acima da média;
– empresas com maior diversidade étnica e cultural têm probabilidade 33% maior de lucrar mais que suas concorrentes; e
– empresas com pouca diversidade étnica e de gênero tendem a ter lucratividade 29% inferior à de seus pares do setor.
Isto ocorre porque quando a empresa é protagonista na pauta de diversidade, equidade e inclusão, ocorrem boas discussões; tem-se melhoria no clima organizacional; temos colaboradores motivados e inovadores; ocorre a melhoria na competitividade no mercado em que atua; tem-se compreensão sobre as especificidades dos grupos; ganha-se em qualidade nos produtos e serviços oferecidos. Diante de que foi exposto fica evidenciado que este é um caminho para a sustentabilidade e perenidade de uma empresa.
O grande desafio em minha opinião está na busca da conscientização sobre a importância e a urgência dessa pauta, permitindo que cada empresa possa adotá-la de acordo com as suas especificidades. E neste sentido, entendo que as entidades de classe possuem um papel difusor fundamental para a implementação da agenda de diversidade, equidade e inclusão.
No Guia que ora destaco neste ensaio, é apontado que não há um caminho único para a implementação da agenda da diversidade, equidade e inclusão, pois cada empresa tem sua estrutura e sua cultura interna, que tornam o caminho para o desenvolvimento e implementação de referidas práticas único. Porém, é possível pensar em práticas que auxiliem nessa trajetória.
Estamos em um novo mundo, em que os consumidores buscam marcas que tenham valores compatíveis com os seus, e cobram cada vez mais das empresas que se posicionem diante de injustiças e da discriminação. É um novo cenário econômico e comportamental, e as empresas precisam passar por uma mudança de mentalidade. Dessa forma, a atuação dos principais executivos, líderes e gestores é fundamental para a construção de um novo arcabouço que com uma governança fortalecida implemente efetivamente a referida agenda.
