Abordarei neste ensaio a questão do crescimento do e-commerce que tem afetado diretamente as vendas nas lojas físicas. E imagino que isto responde a algumas das justificativas sobre o que temos verificado no comércio de algumas cidades, especialmente as capitais em seus centros comerciais. Em Aracaju, por exemplo, verifica-se várias ruas que eram fortes no seu comércio varejista e que crescem em número de empreendimentos comerciais com placas de vende-se e alugam-se.
O e-commerce é algo que transcende fronteiras e distâncias, e que abre diversas perspectivas para o consumo das pessoas em uma na plataforma mundial. Hoje através de um telefone é possível a realização de compras em qualquer parte do mundo e com a entrega do produto em um tempo cada vez menor.
A transformação digital do comércio varejista proporciona um fácil acesso aos produtos que as pessoas procuram, além disso, insere-se os componentes de rapidez e a liberdade de navegação em diversas plataformas com a apresentação dos produtos, preços, formas de pagamentos e opções de entrega.
A barreira da logística é algo que vem sendo eliminado nas compras online, além disso, os custos de entrega também estão sendo eliminados e a rapidez está cada vez mais encantando os clientes, que inclusive monitoram a trajetória de suas mercadorias.
Nas economias avançadas, as informações são de que a entrega no mesmo dia é algo factível e atende a expectativa dos consumidores, especialmente pela entrega a domicílio com a devida conveniência.
A questão é que muitos produtos que antes eram comprados nas lojas do comércio de Aracaju, especialmente na Região do Centro e as adjacências comerciais, agora são comprados de forma on line em países asiáticos. Neste sentido, cabe registrar que é na Ásia que temos a produção de mais de 50% de todas as vendas globais do e-commerce, sendo líderes a China, Coreia do Sul, e Japão.
A transformação digital da nossa sociedade chegou nas compras e com forte impacto pela capacidade logística das empresas que estão reduzindo o impacto das distâncias, e isto é um novo fator cultural que está mudando o nosso jeito de comprar as mercadorias.
Por outro lado, as lojas físicas necessitam adaptar-se às facilidades das Internet, abrindo as janelas de oportunidades que a opção de vender produtos online propicia.
Quando o comércio eletrônico surgiu no Brasil, o principal produto de compras on line era o livro, comprar livro pela internet foi o início de uma grande jornada de transformação que o comércio vivencia no momento.
A pandemia da Covid-19 impulsionou e descortinou o que já existia, a possibilidade de comprar praticamente qualquer mercadoria sem sair de casa. Vamos lembrar que durante a pandemia da Covid-19, lojas ficaram fechadas, era exigida uma circulação mínima de pessoas e com isso o comércio on line era a única opção para todos os empreendedores, porém, os pequenos empresários sofreram mais, pois não estavam adaptados para a realidade vigente, não sabiam trabalhar com a venda pelo telefone, pela internet e precisaram mudar a forma de trabalhar, de se relacionar com os funcionários e clientes.
As compras realizadas no mundo digital são realizadas em sua maioria, através de smartphones, pois são mais práticos e acessíveis para a população. A minha percepção é a de que na atualidade, o celular, especificamente, os smartphones é o principal acessório de uso pessoal e que consome boa parte do tempo livre das pessoas, sendo enfim, utilizado massivamente como meio de propagação de elevação do consumo da população.
Isto é perceptível pela comunicação realizada no mobile nas redes sociais que inundam as pessoas com ofertas para as compras on line.
Para entender melhor esta mudança de paradigma, é importante reportar-se ao trabalho que é desenvolvido pela Câmara Brasileira de Economia Digital, que foi fundada em 07 de maio de 2001, sendo a entidade brasileira de maior representatividade da Economia Digital. Ressaltando-se que ela trabalha com algo que é fundamental e crítico no comércio on line, a segurança das transações eletrônicas.
Algo que precisa ser analisado neste contexto de crescimento do comércio on line, é o impacto nas finanças públicas dos estados em que a população é mais compradora de produtos em outros estados, em detrimento das ofertas em lojas físicas e mesmo lojas digitais do próprio estado.
Algo que precisa ser desmistificado é o de que não há diferença entre a carga tributária de uma venda em uma loja física e a realizada no comércio eletrônico, mas dependendo de onde os consumidores compram as mercadorias se no Brasil ou no exterior isso ocasiona impactos para as finanças públicas estaduais.
Outro impacto é na geração de emprego, se não temos mais tantas lojas físicas e se as compras são realizadas de forma on line em outros locais, tira-se a oportunidade de emprego para os lojistas e isto é muito impactante nas condições econômicas. Portanto estas e outras variáveis necessitam de aprofundamento para entendermos as modificações que ocorrem nas lojas físicas do comércio de rua e shoppings de nossas cidades.
