Logo na saída do Ginásio, a notícia da morte do menino, que residia na Praça da Bandeira. Não se tinha detalhes. A gente, de longe, já via na calçada da casa a movimentação de algumas pessoas. A curiosidade me levou até lá, casa adentro, vendo, numa varanda, em cima da mesa, o corpo do menino sem camisa. Cena dantesca. Na cabeça, pelo que me lembro, quase um buraco a mostrar algum nervo ou afim que se mexia. Os olhos se abriam e se fechavam. Não havia vida no olhar. Demorei pouco. A cena me afetou. As irmãs sem saber o que fazer, além de chorar. Não havia como transportá-lo para hospital em Aracaju. A morte batia à porta com insistência, esperando o momento certo para, em definitivo, fechar os seus olhos, o que não demorou.
O enterro, no dia seguinte. Alguma escola foi convocada, alunos de um lado e de outro, o caixão no meio conduzido por crianças. Se aberto – como se observa em enterros de anjos -, ou fechado, não me vem mais à mente. Sei que estive presente. Apesar de residirmos em ruas bem distantes, fazia parte do meu pequeno número de amigos. Sepultou-se em jazigo da família, a foto em preto e branco tirada em algum estúdio – costume da época, destinada a distribuir com os familiares -, lhe mantém vivo para sempre, sepultura e foto que vejo quando vou visitar as dos meus, por se localizar no trajeto, mausoléu voltado o trecho onde as três sepulturas se situam.
O desditoso descia a Rua São Paulo de bicicleta. Choque fatal com um caminhão, no meio da tarde. A pancada, na cabeça. Daí o buraco que criou. Ao que circulou, o local era propício a tais acidentes. Saiu vivo de casa e voltou praticamente morto. Não foi o primeiro nem seria o último. No cemitério, várias sepulturas de meninos com o mesmo destino, em circunstâncias diferentes. O fato me atazanou por alguns dias. Era a primeira pessoa conhecida, menino como eu, que se antecipava na eternidade. Depois, outros, em tempos e números diversos, se foram, em circunstâncias dispares, e para o mesmo cemitério conduzidos, o nome, retrato, data, na pedra, a registrar a tragédia. De minha parte, não havia outro remédio senão me acostumar. O que ocorreu.