Quando consumimos algo e não pagamos naquele exato momento, estamos assumindo uma dívida. Esta abordagem será na lógica de como fazermos para lidar com as dívidas.
Dever não é problema, mas a falta de controle das dívidas e sua incapacidade de honrar os compromissos assumidos geram sérios problemas.
O controle do endividamento passa preliminarmente pelo controle dos gastos e pelo entendimento da renda e orçamento possível. Muitas pessoas nem conseguem organizar um orçamento de despesas mensais, fixas e variáveis e também, não possuem condições de realizar poupança para os investimentos necessários e como consequência originam dívidas desnecessárias.
O tema tem relevante importância, pois segundo dados recentes divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o volume de endividados nos carnês e cartões de lojas do varejo vem crescendo desde maio deste ano. O total de famílias com dívidas na modalidade alcançou 19,4% em agosto, um aumento de 0,5 ponto percentual (p.p.), em relação a julho, e de 1,2 p.p. na comparação com agosto de 2021.
Na elaboração do orçamento, um item que deve ser destacado é aquele que relaciona as despesas sazonais. Referidas despesas são aquelas que ocorrem em determinada época do ano, como pagamento de IPTU, IPVA, Imposto de Renda, material escolar, renovação de seguro, pagamentos de conselhos e/ou entidades, dentre diversas outras que nem sempre são observadas ao se fazer um planejamento. É comum, no início do ano, as famílias terem dificuldades
em função dessas despesas.
As datas comemorativas e estamos próximos de uma delas, o Dia das Crianças e em breve, teremos o Natal, adicione-se Copa do Mundo este ano e carnavais fora de época, requerem ́ planejamento e controle dos gastos que serão incorridos.
Estes períodos de datas comemorativas possuem em geral o chamado marketing sedutor, que induzem compras não planejadas e que são realizadas por impulso e que podem gerar desequilíbrios orçamentários e financeiros e ainda, o superendividamento.
E se a família já possui um orçamento deficitário, as dívidas deste período elevam o potencial de riscos com custos adicionais por dívidas não necessárias.
Na sociedade em que vivemos é comum encontrarmos pessoas desejando e usufruindo um padrão de vida acima do padrão de renda que possuem. Geralmente são pessoas que inicialmente podem satisfazer suas necessidades e desejos, especialmente em face das facilidades determinadas pelas facilidades de crédito. São pessoas que realizam compras em excesso e na maioria das vezes a prazo, comprometendo o rendimento líquido da família e entrando em situações de endividamento excessivo.
É necessário lembrar que as despesas emergenciais e imprevistas ocorrem e as famílias precisam de orçamento para estarem preparadas para cobrir referidas eventualidades.
O endividamento excessivo traz sérias consequências financeiras e, até mesmo, morais. Alguns exemplos são: perda de patrimônio, comprometimento da renda com pagamento de juros e multas punitivas, redução do consumo futuro, incapacidade de tomada de crédito, dentre diversas outras. E referida incapacidade de conseguir crédito, ocorre porque as pessoas podem ficar em situação de passar a ter o seu nome inscrito em um ou mais cadastros de restrição ao crédito, como Serasa ou Serviço Proteção ao Crédito (SPC).
Mas aqueles que já se encontram no superendividamento é fundamental a busca de alternativas para sair da referida situação. Nesta linha é fundamental em um primeiro momento, a tomada de consciência da situação. Depois entende-se que é necessário a realização do levantamento das dívidas, apurando-se os valores das dívidas, os prazos de pagamento, as taxas de juros das dívidas e os credores.
Depois da posse das informações das dívidas é fundamental a consciência de não ser adequado a geração de novas dívidas. E sobre as dívidas existentes deve-se preparar um plano de renegociação para discussão com os credores. No referido plano em geral existe a necessidade de apresentar a boa fé em querer quitar a dívida e apresentar uma proposta que demonstre viabilidade de pagamento, o que envolve os encargos da dívida (a taxa de juros e a necessidade de negociação de uma nova taxa), o prazo e periodicidade de pagamento das amortizações da dívida e possíveis negociações de redutores de valores que envolvem encargos e em alguns casos, algum montante de principal.
Porém ressalte-se que as renegociações de dívidas para serem exitosas precedem uma mudança cultural nos hábitos e, sabe-se que a cultura de redução de despesas é algo de difícil implementação nas famílias, a exclusão de hábitos e costumes trás sofrimentos, porém maior que isso são as consequências que as dívidas trazem nas vidas das pessoas.
Na estratégia do plano de redução das despesas é preciso que se realize uma lista de decisões sobre as despesas, a exemplo de: despesas que podem ser eliminadas e sem maiores problemas, despesas que podem ser reduzidas em seu montante e substituição de referidas despesas por outras despesas que atendem as necessidades, porém de valores inferiores, ao final, espera-se que parte da sobra de recursos possa ser utilizada na amortização das dívidas.
Na estratégia apontada a questão conceitual de gastos supérfluos é necessária de se resgatar na mente de quem pretende reduzir gastos. Os gastos supérfluos em geral não contribuem para o bem-estar de forma consistente, pois satisfazem desejos momentâneos e são realizados por impulsos. Assim, reforça-se a necessidade de controle de gastos e em especial, das dívidas.
