ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 5:00:58

O futuro do dinheiro

O dinheiro faz parte da sociedade e dele fazemos uso praticamente diariamente em relações com o comércio e para pagamento de obrigações e necessidades que temos. Diante disso, estarei abordando neste artigo a transformação silenciosa que estamos vivendo com o uso do dinheiro. Isto está remodelando os bancos, as finanças e a estrutura de nossa sociedade.

A minha percepção como economista é de que a era da moeda física, ou dinheiro, está chegando ao fim. Em muitos locais de compra as pessoas que recebem pelos pagamentos sinalizam que preferem que paguemos via cartão (débito ou crédito) ou pelo pix. É mais prático, seguro, ganha tempo, mais higiênico e diversas outras vantagens.

Estamos entrando na era das moedas digitais e também, em uma era em que a competição entre moedas oficiais e privadas também está se aproximando nas arenas doméstica e internacional. Destacamos ainda que a proliferação de tecnologias digitais que está impulsionando essa transformação pode promover inovações úteis e ampliar o acesso a serviços financeiros básicos.

Na atualidade, conforme informações do Fundo Monetário Internacional (FMI), as instituições financeiras tradicionais, especialmente bancos comerciais, enfrentam desafios em seus modelos de negócios, pois novas tecnologias dão origem a bancos online que podem alcançar mais clientes e a plataformas baseadas na web, como o Prosper, capazes de conectar diretamente poupadores e tomadores.

Vale destacar as informações do FMI de que o surgimento de criptomoedas como o Bitcoin inicialmente parecia revolucionar os pagamentos. Registre-se que as criptomoedas não dependem de dinheiro do Banco Central ou intermediários confiáveis, como bancos comerciais e empresas de cartão de crédito para realizar transações, o que elimina as ineficiências e os custos adicionais desses intermediários. No entanto, seus preços voláteis e restrições aos volumes de transações e tempos de processamento tornaram as criptomoedas ineficazes como meios de troca. Novas formas de criptomoedas chamadas stablecoins, a maioria das quais ironicamente obtém seu valor estável sendo apoiada por depósitos de dinheiro do banco central e títulos do governo, ganharam mais força como meio de pagamento.

Estas informações ratificam o nosso sentimento de que o dinheiro está desaparecendo e será substituído por dinheiro digital.

Diante disso, imagine-se que mesmo que tenhamos dinheiro disponível para circulação para a sociedade, ele deverá ser cada vez menos utilizado, sendo algo até ultrapassado.

Verificando-se a realidade brasileira, temos conforme dados do Banco Central do Brasil, o seguinte quantitativo de dinheiro na posição do início deste mês (setembro/2022), a distribuição de cédulas e moedas disponível para a população era a seguinte:

Dinheiro em Circulação no Brasil

CÉDULAS
DenominaçãoQuantidadeValor
1,00148.663.199148.663.199,00
2,001.519.220.3303.038.440.660,00
5,00643.946.4423.219.732.210,00
10,00580.771.2985.807.712.980,00
20,00718.745.23414.374.904.680,00
50,001.860.458.92693.022.946.300,00
100,001.742.833.080174.283.308.000,00
200,00107.870.77221.574.154.400,00
TOTAL DE CÉDULAS7.322.509.281315.469.862.429,00
MOEDAS
DenominaçãoQuantidadeValor
0,013.191.087.46331.910.874,63
0,057.464.266.338373.213.316,90
0,107.684.157.635768.415.763,50
0,253.387.775.050846.943.762,50
0,503.435.802.0501.717.901.025,00
1,003.988.832.6493.988.832.649,00
TOTAL DE MOEDAS29.151.921.1857.727.217.391,53

Fonte: Banco Central do Brasil